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Ter ou não ter filhos, eis a questão?

Tri, 25.08.20

Estavam à espera da resposta? Não há, pois está claro. ;)

Se esperam encontrar aqui a resposta aos vossos dilemas existenciais, desenganem-se, apenas quero partilhar convosco as discussões de hora de almoço que tenho tido na empresa.

Agora que temos um papel mais ativo na nossa vida, que podemos escolher o que queremos ser, o que fazer do nosso corpo, da nossa vida, em que queremos trabalhar, se ambicionamos ou não casar, ter filhos e afins, muito se discute sobre a temática…parece que andava tudo entalado!

Durante muitas gerações ter filhos era simplesmente inevitável. Depois do casamento era algo automático e expectável. Hoje em dia, toda gente se questiona (e bem, convenhamos!)

Nestes nossos almoços há defensoras dos dois lados e com os mais diversos argumentos (alguns que não posso deixar de discordar) mas por muito que se discuta não há fórmulas mágicas, nem nenhuma das partes está mais correta que outra, simplesmente temos sonhos e ambições diferentes na vida (nos quais englobamos ter ou não filhos).

(uns fofos para derreter corações)

(uns fofos para derreter corações)

Eu também não os tenho, mas adoro crianças e cresci rodeada delas, a nossa casa sempre pareceu ‘um infantário’ pois todas as crianças da família gostava de lá ficar (e então os pais, convenientemente, aproveitavam) e, quando mudámos de casa e de cidade o cenário manteve-se, toda a vizinhança levava as crianças lá a casa: uma porque só parava de chorar lá em casa, outra porque só o meu pai lhe conseguia dar a sopa sem fitas, outra porque só a minha mãe a conseguia adormecer (senão tinham que ir passear de carro com a criança…é sempre um bom embalo). Enfim, esta sempre foi a realidade da minha vida e nunca tive na ideia de crianças ‘um bicho-de-sete-cabeças’ (porque também nunca tive que lidar com nenhumas muito complicadas) e sempre disse que queria ter muitos filhos. Até que cresci …

Na verdade ainda afirmo que quero ter filhos, mas as minhas motivações já são outras e já é uma decisão mais ponderada e menos tomada com o coração, simplesmente.

Acho que ter um filho é (do meu ponto vista vá) um projeto muito complexo e deve ser dos mais aliciantes da vida de uma pessoa: teres a responsabilidade de criares um ser humano o melhor que conseguires, de saberes que tens que conseguir passar-lhe valores e educação para garantir que aquela pessoa vai ficar neste mundo e vai fazer o bem, vai ser tolerante e respeitadora, vai trazer para esta sociedade muitos valores já esquecidos… e tu queres que esta pessoa seja o melhor possível.

Por isso sim, acho um tremendo desafio e, como tal, vejo como uma decisão ponderada que deve ser tomada em consciência, pois a criança não pede para nascer. Mas que em nada invalida a beleza e magia da coisa, do amor assolapado que nos arrebata e nos tolda as ideias por vezes, daquele amor incondicional e para a vida (que oiço falar claro está).

Portanto, tendo este desejo, devemos tomar a decisão conscientes dos desafios e nunca por qualquer tipo de influência, ainda que subliminar ou até de forma inconsciente, como:

- O relógio biológico (o fatídico relógio): e se este é o motivo por que vamos ter filhos, não é grande a justificação nem teremos uma história muito linda para contar ao miúdo;

- Porque a família não se cala: ceder a pressões externas nunca é positivo, principalmente numa decisão destas que muda a vida de uma pessoa (e é para a vida!). Deixem a tia Miquelina falar à vontade;

- “Quando eu for velhinho, quem cuidará de mim?!”: a sério gente? Isso ainda é argumento? Os filhos não devem nascer com a responsabilidade de cuidar dos pais, poderá ser algo natural e consequente da educação que se lhes dá, nunca nascer com essa imposição. Para além do mais, existem os lares para isso mesmo, não é preciso ter filhos;

- Heranças e a quem deixar: bem se têm assim tanta coisa que já se preocupam a quem vão deixar a herança então tenho um conselho: disfrutem o máximo que podem em vida! As coisas que têm e que conseguiram ao longo da vida devem ser para usufruir e não a pensar numa pessoa que ainda não existe e que irá ficar com tudo. Não! Devem ser vocês a usar, disfrutar, aproveitar ao máximo do esforço que tiveram, mesmo que não fique herança nenhuma. Quem vem a seguir, que construa o seu caminho.

 

E então, vamos lá contribuir para o aumento da taxa de natalidade deste país? ;)

(ou por outras palavras ... começar a pensar em quem me pagará a reforma daqui a uns anos...)

 

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