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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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o soninho do sofá

Tri, 02.08.21

O vosso sofá também é daqueles que tem ‘vida própria’? Tem braços ‘invisíveis’ que nos agarram mesmo sem nós querermos e nos obrigam a manter o rabo alapado no sofá?

Pois, o meu é desses!

É daqueles objetos milagrosos, em que nos sentamos para ver uma série (ver para dentro, não é) e de repente ele já nos catapultou ‘para o vale da nossa senhora da sesta’.

Mas é um soninho tão bom que devia ser considerado uma das sete maravilhas do mundo. RTP, fica aqui a dica para o próximo programa (também já fizeram maravilhas de tudo, realmente já só falta esta…)

Confesso que nos últimos meses tenho tentado não sucumbir, nem tenho ligado a TV, só coloco uma música quando chego a casa, jantamos com música ambiente, depois é pôr a leitura em dia (que eu tenho o meu desafio pessoal para atingir). Mas há sempre um dia que uma pessoa tem que ir lá parar senão fica com peso na consciência “Ando a pagar netflix para quê?!’”.

Mas quem é que é nunca dormitou no sofá?!?

 Pois, silêncio…bem me parecia que vocês sofriam do mesmo mal.

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Não sei porquê, mas creio que isto deve estar nos genes…nos genes do ser humano, e tem vindo a passar de geração em geração.

E depois há quem atribua uma conotação negativa ao sofá, quando a discussão é mais acesa a tendência é de dizer ‘logo já vais dormir no sofá’, o que eu diria que não é mau de todo (a menos que este já seja velhote e se sintam as molas todas) e inclui TV a noite inteira, que é excelente para embalar pessoas.

Como é convosco, são dos passam p’las brasas no sofá antes de ir para a cama ou nem se chegam com medo de adormecer?

Olá, muito gosto...

Tri, 24.07.21

A emoção que é conhecer pessoas novas. Ainda se lembram do que era? Ou ainda vos acontece?

E não estamos aqui a falar em conhecer pessoas no sentido romantizado da coisa, não, simplesmente conhecer um novo ser humano.

Perceber gostos em comum ou diferenças gritantes; aqueles momentos em que genuinamente nos interessamos pela outra pessoa em que até aprendemos algo de novo com o hobbie que a outra pessoa partilha; em que acabamos por nos abrir mais do que contávamos porque aquela pessoa nos faz perguntas, se interessa genuinamente…

Ainda se lembram como era conhecer realmente pessoas sem ser só enviando uma mensagem? Não que não se possa falar numa mensagem, temos que acompanhar os tempos é certo, mas eu adoro conhecer pessoas.

Nas minhas viagens, adoro meter conversas com os locais, ficar a saber mais coisas sobre os sítios, a cultura, sobre eles e a sua vida; com os outros turistas onde acabo, por vezes, por arranjar companheiros de viagem.

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Conhecer novas pessoas dá-nos a oportunidade de nos conhecermos melhor também, de nos apresentarmos de forma sincera ou de “pintarmos o quadro que queremos”, permite-nos perceber que às vezes é tão mais simples sermos honestos com desconhecidos, que não vão julgar a nossa vida, do que com amigos de longa data.

Para além de que nos força a sair da nossa zona de conforto, da nossa rotina, das “nossas pessoas” que damos como garantidas e com quem já contamos, sem sequer perguntar; conhecer novas pessoas é uma maneira de conhecer novas ideias, histórias, personalidades, mostrar quem somos e de ampliar horizontes. Não que as nossas pessoas devam ser esquecidas, jamais, elas são essenciais, são o nosso pilar, o objetivo é completar e expandir-nos.

No dia-a-dia é fácil conhecer novas pessoas? Eu diria que sim, se tivermos genuíno interesse pelas pessoas.

Normalmente, andamos sempre a mil e passamos pela padaria com um «B’dia» de fugida, na farmácia um «Olá» envergonhado; podemos tentar organizar-nos e ter tempo, dedicar 5 minutos do nosso tempo a alguém. O que são 5 minutos do nosso tempo?

Se calhar descobrimos coisas engraçadas sobre a senhora da mercearia, descobrimos coisas em comum com o sapateiro e um dia até convidamos a senhora da farmácia para um cafezinho.

Não sei quanto a vocês, mas eu gosto de conhecer pessoas. Afinal de contas, nós somos animais sociáveis e gosto de conhecer as pessoas da minha zona.

como perder pneus em dois dias

Tri, 14.07.21

Estavam à espera da receita de uma dieta milagrosa qualquer, não era?! Desculpem, enganei-vos. 

Tenho andando ocupada a resolver problemas em casa que parecem como cogumelos: nascem em todo o lado.

Ele é lâmpadas a fundir, é rodapés a descolar que têm que ser refeitos, é uma parece que decidiu descascar e tenho que voltar a lixar tudo, pôr massa e pintar (sim que eu virei uma empreiteira top ..vá, top top não mas desenrasco vá), problemas muito diversos que me têm ajudado entreter (estava mesmo a precisar, realmente).

A juntar a isso tive uma bela surpresa que das duas uma, ou tive mesmo muito azar, ou alguém me quer dar algum recado…

Estive uns dias fora e deixei o carro estacionado na minha rua, é uma rua de sentido único e tem sempre carros de ambos os lados, toda a rua é um grande parque de estacionamento. Acontece que cheguei na segunda para pegar no carro e tinha um pneu furado, mas mesmo muito furado, o pneu é de uma borracha tão dura e aquilo parecia gelatina (nota-se muito que nunca tive um furo na vida?!).

Ora para resolver o problema toca de pegar no telefone e chamar... (assistência em viagem diriam vocês?!) o meu rico paizinho, claro está, para vir ajudar a menina.  Infelizmente o raio do pneu deu mesmo luta porque tinha ferrugem, ou algo assim, mas ainda tivemos um vizinho muito prestável a ajudar.

Neste momento eu já estranhava a situação porque tenho total certeza que o carro estava bem quando o deixei estacionado, andei a dar imensas voltas no último dia e não senti nenhum pneu em baixo, estacionei-o bem, como é que perdeu o ar nestes dias?

O meu pai dizia-me que devo ter calcado algo e ficou a esvaziar estes dias…possível, realmente…

Lá ficou o carro com o pneu suplente que me permitiu arrancar, mas só na terça é que eu conseguia ir tratar daquilo.

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Na terça, às 8h00, chego ao meu carro (que ficou novamente estacionado na rua, ainda que num sítio diferente) e apanho outro pneu furado. Como assim? Qual é a probabilidade?

Desta vez já não me adiantava pedir ajuda ao meu pai porque não havia mais pneus suplentes para substituir, tive que me limitar a chamar o reboque para me levar à casa de pneus e chegar atrasada ao trabalho.

O meu pai continua a achar que posso ter pisado algo pontiagudo num pneu e noutro (foram do mesmo lado) e que acabaram por ir esvaziando… mas caraças, dois pneus? Dois dias seguidos? Que raio de azar …

Simplesmente acho muito estranho mas eu também nunca tinha tido um furo na vida, agora, de repente, já fiquei com dois na coleção.

Vamos lá ver se sobrevivo sem mais nenhum o resto da semana. (afinal de contas o carro tem quatro pneus…)

mas chegar atrasado é moda?

Tri, 08.06.21

E ninguém me avisou.

Não quero apontar o dedo a ninguém nem tornar isto numa questão regional, mas, todas as minhas reuniões no Sul (é que seja com quem for) começam tarde, ou tenho muito azar, ou é hábito.

(eu sei que isto é uma terra de trânsito crónico, mas já todos sabem disso, portanto convém sair mais cedo!)

De uma forma geral, cada vez mais noto uma tendência crónica de todas as pessoas para não chegarem a horas…pensei que os confinamentos e reuniões à distância de um clique tivessem melhorado isto (até porque se só precisamos fazer um clique para começar, bem que podemos chegar à hora marcada) mas parece que não.

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É empreendedora desd’a barriga da mãe

Tri, 27.05.21

Os meus pais têm uma forte convicção de que eu tenho algum espírito empreendedor dentro de mim, que não sei estar quieta e estou sempre metida nalgum projeto.

Por sua vez, eu posso afirmar que não tenho. Talvez em tempos idos possa ter tido um resquício mas que se perdeu com o tempo, claramente.

 

É um facto que eu estou sempre metida em alguma coisa, a ajudar alguém num determinado projeto, a fazer formações, a aprender uma nova língua, a preparar angariações de fundos para a minha associação, um sem número de coisas mas daí a ser uma empreendedora vai uma grande distância.

E porque acham os teus pais tal coisa? (perguntaram vocês, não foi?)

 

Desde pequena que sempre quis muito ser independente, e por independente entenda-se conseguir ter umas moedas para ir comprar gomas sem ter que pedir à mãe ou simplesmente ter o meu mealheiro de lata, conseguir enchê-lo e ter o maior dos prazeres em despejar todas as moedinhas em cima do balcão do banco (do montepio, claro está, como boa criança portuguesa que era) para depositar na minha conta poupança “para quando fosse grande”.

Ai, e se conseguia encher esse mealheiro minha gente…várias vezes me lembro deste processo, no tempo em que ainda aceitavam depósitos em moedas e eu recebia elogios por levar os meus escudos todos direitinhos para serem depositados. Era um orgulho! Sentia-me ‘como gente grande’.

 

E como arranjava eu tantas moedas? (foram vocês que perguntaram ou foi impressão minha?)

 

Pois aí é que está o cerne da questão e o tal jeito para os negócios que desenvolvi desde cedo, nas mais variadas atividades a que me propus.

Sempre estive disponível para ajudar todas as pessoas no nosso bairro, os meus pais assim me ensinaram, sem qualquer contrapartida, ajudava a levar os sacos ao cimo das escadas, a dar comida aos animais, a ir ‘só ali buscar dois pãezinhos qu’és linda’, no entanto, comecei a amealhar rebuçados do Dr. Bayard e, de quando em vez, um tostão. E aí sim, nasce o meu primeiro mealheiro, sem contar, sem ter pedido, simplesmente porque me quiseram dar uma moeda.

E foi quando o meu pai me ensinou a guardar as moedas na latinha para guardar no banco e ter dinheiro quando crescesse. (convenhamos que ainda mal se sabia da fama dos bancos, na verdade)

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vamos ver os carros a passar?

Tri, 15.05.21

Digam de vossa justiça, todos vocês eram (e como dizia a minha avó) “boa boca” em pequenos?

Na minha família creio que temos um caso crónico de “esquisitice”.

O meu pai por exemplo, um senhor alto e muito bem-apessoado, come de tudo e é o Masterchef lá de casa, improvisa e cozinha maravilhosamente bem (tivesse ele mais tempo … ai ai, delicia) ninguém diria que era um autêntico ‘finguelinhas’ em criança. (para sinónimos, consultar o dicionário do Norte)

Reza a lenda, que a minha avó lhe preparava os lanches para levar para a escola e ele, como não queria comer, chegava ao fundo das escadas e colocava o pão com manteiga direto da caixa do correio. A minha avó dava por ela ao final do dia ou, por vezes, só no dia seguinte. Claro que ‘havia molho’ de seguida, até porque não havia fartura pelo que desperdiçar o que quer que fosse era, para a minha avó, um flagelo.

 

Já eu era esquisita e continuo a sê-lo. De tal forma, que a minha avó tinha que me distrair para me conseguir pôr alguma coisa à boca, por isso íamos para a janela ver os carros a passar, escolhíamos uma cor e sempre que algum carro dessa cor passasse ela dava-me uma colher de comida. Escusado será dizer que passávamos horas na janela. E íamos mudando de cor para o jogo render. E quando comecei a conhecer letras, fizemos um upgrade ao jogo para identificar determinada letra nas matrículas que passavam. (facilitava a sua tarefa o facto de morar perto da estação de comboios de Coimbra e haver algum movimento naquela zona)

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Não tenho muitas memórias de infância da minha avó, mas tenho essa imagem muito gravada em mim, lembro-me perfeitamente de estar no banquinho de madeira, que ela tinha sempre ao lado da janela, a ver os carros a passar e a ‘tentar’ ingerir comida.

E mais tarde, quando entrei na primária, e como já sabia o abecedário e algumas palavras, ela deixava-me ajudá-la a fazer as sopas de letras. Ai, o que eu adorava as sopas de letras!

Via a palavra, mesmo sem saber o que significava, e procurava igual naquele emaranhado de letras. Tornei-me muito rápida, ao longo dos anos, uma “profissional da sopa” como dizia a minha avó a rir.

 

Na sua simplicidade, e paciência mais ou menos controlada, ela cuidava de mim e ia estimulando os meus conhecimentos. Hoje andei de metro, já não o fazia há anos, e dei por mim a contar os carros vermelhos que passavam … memórias…não somos todos nós feitos delas?

Quarto-escuro

Tri, 13.05.21

Vocês lembram-se? Digam-me que sim, que não fui só eu.

Estava este fim-de-semana a conversar com o meu sobrinho sobre a interação que tem com os seus amigos, o tipo de brincadeiras que fazem hoje em dia (inexistentes diga-se), constatando que o normal para ele é “estar com o pessoal” à distância.

E não, não por causa do covid. E sim porque se habituaram a falar por mensagens, a conversarem através de microfones quando estão todos a jogar um qualquer jogo on-line e quando estão efetivamente juntos não têm o à-vontade para falarem, para desabafarem, para dizerem o mesmo que escreveram na mensagem do dia anterior.

 

Isto já era algo que me preocupava mas atualmente com tanto confinamento, temo que isto vá ser um grande dilema da nossa sociedade, a incapacidade de criar relações sociais, de lidar com o outro, de cuidar…

Bem, mas não foi isso que nos trouxe aqui hoje.

 

Vocês lembram-se dos jogos de antigamente que usámos como artimanha para nos podermos aproximar daquele colega mais engraçado a quem queríamos roubar uma beijoca? (não estou nisto sozinha de certeza, não me julguem)

Havia o “bate o pé”, bem atrevidote onde podíamos fazer a ação que nos tinha calhado ou bater o pé e recusarmo-nos e o “quarto-escuro”. Mas quem é que inventou estas coisas? (pergunto-me eu hoje a sorrir perante algumas memórias) O “quarto-escuro” era um jogo às escuras, onde o objetivo era tentar encontrar alguém e identificar às apalpadelas (leram bem: às apalpadelas … mas com respeito atenção!) e quando um casalinho se encontrava aproveitava para roubar uns beijitos.

Tudo bastante inofensivo, diria eu, e algo inerente à curiosidade da idade e da descoberta dos próprios corpos e dos outros.

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E dizem vocês, “mas e lembras-te disso agora porquê?” (pareceu-me que vos ouvi perguntar)

 

Pois que acho que estes adolescentes (e pré-adolescentes) já nem desses jogos precisam de tão explícitos que são. São um contrassenso, na verdade, por um lado contidos nas palavras, não criam relações, não fazem amigos verdadeiros (daqueles com quem vão poder contar mesmo e não daqueles que só estão prontos para a festa ou para parecer bem nas fotos), não se dão a conhecer verdadeiramente com receio das represálias, do escárnio ou rebaixamento, no entanto, conseguem ser demasiado físicos. E por físicos entenda-se, andarem quase nus na rua (não deixam grande espaço para a imaginação não) e serem demasiado sexuais em plena via pública.

Moro perto de escolas e as coisas que eu já assisti…ou eu sou muito púdica e não soube acompanhar a evolução dos tempos ou isto não é de todo normal, é crescerem demasiado rápido, é nem disfrutarem de ainda serem criança e pré-adolescentes. (eles não sabem, mas depois têm o resto da vida para serem sempre adultos … criança é que não!)

 

Mas é de mim, que me custa a entender isto e acho que é demasiado ou partilham da mesma opinião? Posso ser só eu que “parei num outro tempo” e considero que há tempo para tudo na vida, temos várias fases e etapas por algum motivo, portanto cada coisa a seu tempo.

Miúdos à nossa imagem

Tri, 20.04.21

Tenho discutido muito nos últimos tempos por causa dos estudos do meu sobrinho e do meu primo (têm diferença de poucos meses). Acontece que os pais de ambos querem impor o que eles devem estudar, o que é melhor para eles ... Mas quem garante o que é melhor para dada criança? Lá porque algo foi bom para mim, ou para alguém, não significa que vai funcionar naquela criança.

Todos os seres são diferentes e têm objetivos e necessidades diferentes (mesmo que ainda não os tenham descoberto).

E atenção que eu percebo que devemos zelar e proteger as nossas crianças sempre, desejar o melhor para elas e que nunca lhes falte nada, aconselhar e encaminhar o melhor possível mas temos que aprender quando parar...

(Isto porque os tempos são outros e as coisas vão evoluindo, nós vamos evoluindo e pensamos nestas coisas, noutros tempos não seria assim...ai se a minha avó ouvisse estas ideias...)

Hoje em dia somos super protetores em relação às crianças; quem é que chega a casa todo borrado e de joelhos esfolados porque andou a brincar na rua?! Ninguém. E porque a segurança da rua também já nem permite. (já para não falar do bicho cujo-nome-estamos-fartos-de-pronunciar)

Um fator chave para o seu crescimento é a experiência, é passar pelas coisas e não esperar que lhes contem ou mostrem num vídeo; é sentirem-se queridas e não rodeadas de coisas, ou seja, dispendermos tempo para estar, brincar e ensinar ao invés de só dar. (Tenho para comigo que muitos adolescentes recorrem à violência como resposta, por falta de carinho ao longo do seu crescimento, de tempo e atenção)

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Portanto, o que as crianças necessitam é do nosso tempo para as ajudarmos a manifestar e aprimorar as virtudes que "trazem de fábrica" em vez de tentarmos moldá-las ao que achamos que devem ser.

Isto para chegar ao que respondi à minha família porque é o que acredito: eduquem, descubram aquilo em que a criança se destaca e proporcionem-lhe os recursos necessários para exprimir o seu talento. É o que de melhor podem fazer por eles.
Deixem de incutir ideias como " vai para X que tem muitas saída", " estuda Y que depois ganhas muito dinheiro". Depois seguem o vosso conselho, crescem e sentem-se frustrados. (mas atenção que não digo que esta seja uma tarefa fácil, nada disso...já aqui falei um pouco do assunto)

O esforço de hoje, amanhã irá poupar a essa criança muito tempo, esforço e dinheiro investidos em perceber o 'sentido da sua vida'. Acreditem em mim. ;)

Os filhos não nos pertencem, aliás a nossa missão em relação a eles consistem precisamente em prepará-los para que nos abandonem. (Não literalmente entenda-se mas que ganhem as suas asas)

E acho que quanto mais cedo se perceber isso, melhor a relação criada, melhor a educação que podemos dar pois analisamos as coisas "com outros olhos".  Mas como já disse noutros textos, é a minha mera opinião, eu não tenho filhos e um dia, se os tiver, posso pagar a minha língua mas tenho plena convição que, se um dia os tiver, vou estar consciente e convicta do que devo fazer, por muito dificil que seja (ou sem paciência) e basicamente encaminhá-los apenas no caminho que é o deles e que ninguém deve mudar.

 

Bem, quando isso acontecer, venho aqui fazer um update vá.  ;)

perdas

Tri, 12.04.21

Há alguns dias, infelizmente, tive o velório do pai de um amigo. (não fui literalmente, dado o limite de pessoas permitido, apenas passei na porta para lhe dar algum apoio)

De uma forma geral, tento sempre esquivar-me a estesmomentos, não é por não estar lá que não penso na pessoa, que não sinto a sua falta ou que não estou de alma e coração com quem sente aquela perda.

 

A perda é uma coisa que mexe muito comigo, algo que ainda não aprendi de todo a lidar, apesar de a minha consciência saber perfeitamente que os clichés são verdadeiros e que é algo que “faz parte da vida” e que é “inevitável”. Mas a perda de um pai é, provavelmente, das coisas que mais me comove e me deixa o estômago reduzido a nada.

 

Desde pequena que ficar sem o meu pai ou a minha mãe é a ideia que mais me atemoriza. Ainda hoje, adulta feita, tenho algum trauma com isso (nunca perdi nenhum deles, entenda-se) de tal forma que chego a ter sonhos (pesadelos!) diversas vezes com essas perdas como se fosse mesmo muito real.

 

Os meus pais são uns autênticos guerreiros e excelentes pessoas, sempre prontos a estender a mão ao próximo; ajudam sempre sempre toda a gente, mesmo que ninguém retribua quando eles precisam numa qualquer fase menos boa da vida.

 

A vida pregou-lhes algumas rasteiras, mas foram-se sempre erguendo como podiam. São um orgulho e creio que não sabem que o são e o quanto os adoro.

 

Em minha casa nunca se falou muito de sentimentos e, apesar de o amor sempre ter existido, às vezes essa é uma barreira um bocadinho difícil de transpor: falar de amor, dizer alto o quanto gostamos uns dos outros. (não é por isso que não fizeram de mim uma mimada. Ups!)

Mas mesmo não dizendo, nós sabemos, nós sentimos, porque estamos sempre lá, porque nos apoiamos, porque tanto estamos juntos para ir relaxar numa ida ao teatro como estamos juntos para dar força nos momentos menos bons.

 

A minha família são os meus pais! Tenho tios e primos, mas a minha família são os meus pais, simplesmente. Eles nunca me faltam, eles é que estão sempre lá para mim.

 

E por isso não me consigo imaginar sem  eles, sem o cuidado, sem o amor, sem a proteção.

Queria guardá-los em qualquer lugar onde nada os afetasse, mas sei que só os posso guardar no meu coração e tentar sempre cuidar deles e protegê-los o melhor que me for possível.

 

Inevitavelmente, um dia vai acontecer, mas bem vamos esperar até que sejam bem velhinhos e rabugentos, sim? (sim a minha mãe vai ser uma velhinha faladora e refilona!)

Até lá, é aprender a lidar com as perdas desta vida.

de fugida ...

Tri, 08.04.21

Porque há fases em que precisamos de parar, de nos resguardar … de alguma introspeção.

Porque a vida não é fácil, e acho que todos sabemos disso (ou será que somos nós que a dificultamos?), e decisões difíceis às vezes têm que ser tomadas.

Não é fácil mas nós estamos habituados a que tudo seja fácil (e facilitado) nas nossas vidas, ele há GPS para nos ensinar o caminho, há microondas e Bimby’s que “cozinham por nós”, máquinas de lavar e afins. Uma panóplia de opções e depois queremos que A Vida seja igualmente fácil, numa versão de 'pronto a vestir.'

Enfim, não é fácil, não significa por inerência que seja difícil, simplesmente que não é fácil…é o que é.  Não há tutoriais milagrosos para vivermos toda a nossa vida, nem DIY (projetos faça você mesmo) para resolvermos os nossos problemas.

Por vezes, só temos mesmo que abrandar, ter atenção e cuidar mais de nós.

Ando numa dessas fases … muita coisa quer sair, mas faltam as palavras. (se é que isto faz algum sentido)