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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

Estou só a dizer coisas ...

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Miúdos à nossa imagem

Tri, 20.04.21

Tenho discutido muito nos últimos tempos por causa dos estudos do meu sobrinho e do meu primo (têm diferença de poucos meses). Acontece que os pais de ambos querem impor o que eles devem estudar, o que é melhor para eles ... Mas quem garante o que é melhor para dada criança? Lá porque algo foi bom para mim, ou para alguém, não significa que vai funcionar naquela criança.

Todos os seres são diferentes e têm objetivos e necessidades diferentes (mesmo que ainda não os tenham descoberto).

E atenção que eu percebo que devemos zelar e proteger as nossas crianças sempre, desejar o melhor para elas e que nunca lhes falte nada, aconselhar e encaminhar o melhor possível mas temos que aprender quando parar...

(Isto porque os tempos são outros e as coisas vão evoluindo, nós vamos evoluindo e pensamos nestas coisas, noutros tempos não seria assim...ai se a minha avó ouvisse estas ideias...)

Hoje em dia somos super protetores em relação às crianças; quem é que chega a casa todo borrado e de joelhos esfolados porque andou a brincar na rua?! Ninguém. E porque a segurança da rua também já nem permite. (já para não falar do bicho cujo-nome-estamos-fartos-de-pronunciar)

Um fator chave para o seu crescimento é a experiência, é passar pelas coisas e não esperar que lhes contem ou mostrem num vídeo; é sentirem-se queridas e não rodeadas de coisas, ou seja, dispendermos tempo para estar, brincar e ensinar ao invés de só dar. (Tenho para comigo que muitos adolescentes recorrem à violência como resposta, por falta de carinho ao longo do seu crescimento, de tempo e atenção)

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Portanto, o que as crianças necessitam é do nosso tempo para as ajudarmos a manifestar e aprimorar as virtudes que "trazem de fábrica" em vez de tentarmos moldá-las ao que achamos que devem ser.

Isto para chegar ao que respondi à minha família porque é o que acredito: eduquem, descubram aquilo em que a criança se destaca e proporcionem-lhe os recursos necessários para exprimir o seu talento. É o que de melhor podem fazer por eles.
Deixem de incutir ideias como " vai para X que tem muitas saída", " estuda Y que depois ganhas muito dinheiro". Depois seguem o vosso conselho, crescem e sentem-se frustrados. (mas atenção que não digo que esta seja uma tarefa fácil, nada disso...já aqui falei um pouco do assunto)

O esforço de hoje, amanhã irá poupar a essa criança muito tempo, esforço e dinheiro investidos em perceber o 'sentido da sua vida'. Acreditem em mim. ;)

Os filhos não nos pertencem, aliás a nossa missão em relação a eles consistem precisamente em prepará-los para que nos abandonem. (Não literalmente entenda-se mas que ganhem as suas asas)

E acho que quanto mais cedo se perceber isso, melhor a relação criada, melhor a educação que podemos dar pois analisamos as coisas "com outros olhos".  Mas como já disse noutros textos, é a minha mera opinião, eu não tenho filhos e um dia, se os tiver, posso pagar a minha língua mas tenho plena convição que, se um dia os tiver, vou estar consciente e convicta do que devo fazer, por muito dificil que seja (ou sem paciência) e basicamente encaminhá-los apenas no caminho que é o deles e que ninguém deve mudar.

 

Bem, quando isso acontecer, venho aqui fazer um update vá.  ;)

perdas

Tri, 12.04.21

Há alguns dias, infelizmente, tive o velório do pai de um amigo. (não fui literalmente, dado o limite de pessoas permitido, apenas passei na porta para lhe dar algum apoio)

De uma forma geral, tento sempre esquivar-me a estesmomentos, não é por não estar lá que não penso na pessoa, que não sinto a sua falta ou que não estou de alma e coração com quem sente aquela perda.

 

A perda é uma coisa que mexe muito comigo, algo que ainda não aprendi de todo a lidar, apesar de a minha consciência saber perfeitamente que os clichés são verdadeiros e que é algo que “faz parte da vida” e que é “inevitável”. Mas a perda de um pai é, provavelmente, das coisas que mais me comove e me deixa o estômago reduzido a nada.

 

Desde pequena que ficar sem o meu pai ou a minha mãe é a ideia que mais me atemoriza. Ainda hoje, adulta feita, tenho algum trauma com isso (nunca perdi nenhum deles, entenda-se) de tal forma que chego a ter sonhos (pesadelos!) diversas vezes com essas perdas como se fosse mesmo muito real.

 

Os meus pais são uns autênticos guerreiros e excelentes pessoas, sempre prontos a estender a mão ao próximo; ajudam sempre sempre toda a gente, mesmo que ninguém retribua quando eles precisam numa qualquer fase menos boa da vida.

 

A vida pregou-lhes algumas rasteiras, mas foram-se sempre erguendo como podiam. São um orgulho e creio que não sabem que o são e o quanto os adoro.

 

Em minha casa nunca se falou muito de sentimentos e, apesar de o amor sempre ter existido, às vezes essa é uma barreira um bocadinho difícil de transpor: falar de amor, dizer alto o quanto gostamos uns dos outros. (não é por isso que não fizeram de mim uma mimada. Ups!)

Mas mesmo não dizendo, nós sabemos, nós sentimos, porque estamos sempre lá, porque nos apoiamos, porque tanto estamos juntos para ir relaxar numa ida ao teatro como estamos juntos para dar força nos momentos menos bons.

 

A minha família são os meus pais! Tenho tios e primos, mas a minha família são os meus pais, simplesmente. Eles nunca me faltam, eles é que estão sempre lá para mim.

 

E por isso não me consigo imaginar sem  eles, sem o cuidado, sem o amor, sem a proteção.

Queria guardá-los em qualquer lugar onde nada os afetasse, mas sei que só os posso guardar no meu coração e tentar sempre cuidar deles e protegê-los o melhor que me for possível.

 

Inevitavelmente, um dia vai acontecer, mas bem vamos esperar até que sejam bem velhinhos e rabugentos, sim? (sim a minha mãe vai ser uma velhinha faladora e refilona!)

Até lá, é aprender a lidar com as perdas desta vida.

de fugida ...

Tri, 08.04.21

Porque há fases em que precisamos de parar, de nos resguardar … de alguma introspeção.

Porque a vida não é fácil, e acho que todos sabemos disso (ou será que somos nós que a dificultamos?), e decisões difíceis às vezes têm que ser tomadas.

Não é fácil mas nós estamos habituados a que tudo seja fácil (e facilitado) nas nossas vidas, ele há GPS para nos ensinar o caminho, há microondas e Bimby’s que “cozinham por nós”, máquinas de lavar e afins. Uma panóplia de opções e depois queremos que A Vida seja igualmente fácil, numa versão de 'pronto a vestir.'

Enfim, não é fácil, não significa por inerência que seja difícil, simplesmente que não é fácil…é o que é.  Não há tutoriais milagrosos para vivermos toda a nossa vida, nem DIY (projetos faça você mesmo) para resolvermos os nossos problemas.

Por vezes, só temos mesmo que abrandar, ter atenção e cuidar mais de nós.

Ando numa dessas fases … muita coisa quer sair, mas faltam as palavras. (se é que isto faz algum sentido)

reconhecer os momentos de felicidade

Tri, 25.03.21

A teoria é simples e todos a entendemos, mas colocar em prática é complicado, exige concentração e dedicação.

Estamos tão absorvidos na nossa vida de correria, no nosso dia-a-dia programado e atarefado que, pequenos momentos, não passam disso mesmo…pequenos momentos que nos passam despercebidos.

(sim mesmo agora que não andamos a correr para lado nenhum, conseguimos não prestar atenção…)

Pequenas coisas que não reparamos, não lhes damos a devida importância, não percebemos que é um pequeno grande momento pelo qual devemos estar gratos. (aliás devemos estar gratos por acordar todos os dias, não?)

 

Portanto, é difícil percecionarmos diariamente a felicidade nas pequenas coisas porque, habitualmente, vivemos quase em piloto automático pelo que isso tem que ser um exercício constante e consciente. Para mim é! Todos os dias faço esse exercício de ir olhando há minha volta ao longo do dia, de ir percebendo o que me rodeia, de ir agradecendo, de ir sorrindo e há dias em que tudo isso sai de forma automática, não precisamos de nos lembrar de fazer esses exercícios. Mas garanto, a vida fica tão mais leve.

Não. Não resolve todos os nossos problemas, aliás ninguém os resolve senão nós, mas ajuda-nos a ter uma outra visão sobre os mesmos, por exemplo.  

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Todos os dias, sem exceção, forço-me a parar, a ter consciência do que me rodeia, a dar atenção e a ser grata porque os problemas que tenho na vida não são comparáveis, por exemplo, aos que eu lido no meu voluntariado. Não são maiores nem menores, são os meus noutra realidade, contexto e proporção.

 

Mas todos os dias ouvimos e lemos frases inspiracionais, que se pararmos para as interiorizarmos exercem de facto o seu propósito, de motivar e dar alento, aquele clique que precisávamos para avançar com uma qualquer decisão. (mas se não passarem de um wallpaper bonito de rede social de pouco servem, na verdade)

E em todas estas pequenas coisas (e tantas outras) reside a nossa felicidade ao longo da vida, só temos que fazer o exercício de nos apercebermos. Deixo-vos o simples exercício, quando se deitam, parem 2 minutos e pensem no vosso dia, por muito mau, stressante ou angustiante que tenha sido, não teve alguma coisa de bom? Não vale a pena ser grato por ele ter existido na vossa vida? ;)

pedir ajuda: vergonha ou coragem?

Tri, 05.03.21

Nas arrumações do último fim-de-semana, em casa dos meus pais, encontrei por lá uns livros de António Aleixo que conheço desde sempre, e há poemas seus que são míticos, mas de facto não conheço bem a sua obra.

Dediquei-me assim à leitura da sua obra que prima pela ironia e crítica social. Mesmo quem não conheça o homem por detrás da escrita, percebe que é alguém muito simples e humildade, sem estudos até, mas do alto da sua simplicidade consegue colocar em palavras questões, temas e situações muito concretas.  

Encontrei por lá um poema que me despertou a atenção, pelo seu conteúdo e por tantos anos depois eu o achar tão atual…e por infelizmente conhecer algumas pessoas que se relacionam perfeitamente com as suas palavras.

Partilho convosco para que de alguma forma possa servir de alerta para alguém…quando precisamos de ajuda não é vergonha pedir, seja que tipo de ajuda for. Não pode ser vergonha.

Não precisamos fazer publicidade disso, apenas ir aos sítios certos, às associações certas, se for o caso, e explanar a situação para melhorar a nossa vida. As nossas ajudas são temporárias, não resolvem os problemas mas permitem aliviar momentaneamente. E há sempre uma forte rede de contactos por trás que acaba por auxiliar efetivamente na resolução de dado problema, seja o não estar a conseguir ter acesso ao algum apoio, seja o não conseguir ter um infantário para o miúdo, seja precisar de trabalho.

Tentar não custa e é sempre preferível do que o sofrimento que fica entre quatro paredes.

Repito, não é preciso fazermos publicidade das situações, as pessoas não têm todas que saber, se não estamos confortáveis com isso, mas temos que pedir ajuda às pessoas certas que irão ajudar enquanto for possível. Ou estarmos atentos aos nossos vizinhos, à Dª Maria da mercearia, que agora nem vemos tanto, e intercedermos por eles. Pela sua vergonha e orgulho que por vezes os impede de pedir ajuda.

Percebo o desespero, a sensação de impotência, de dependência … em contrapartida tantos outros fazem disso um modo de vida, limitando quem realmente necessita.

Deixo aqui o desabafo nas palavras de António Aleixo e que sirva apenas como chamada de atenção.

 

 

eu sei que não está fácil para ninguém

Tri, 25.02.21

Eu sei que não está fácil para ninguém, é um facto.

Eu também tenho amigos profissionais de saúde que estão no limite. Pouco ou nada tenho conseguido falar com eles nos últimos meses e quando consigo é para ouvir desabafos que me partem o coração. 

Também já tive familiares, amigos e colegas de trabalho com Covid. Sou grata por a minha família mais próxima e eu mesma estarmos todos bem de saúde. Tenho assistido de perto ao desespero crescente de famílias com sérias necessidades, as ajudas não chegam a todo o lado, as associações desdobram-se mas já não têm meios para acudir a tantos pedidos de ajuda.

Tenho também vivido de perto a realidade dos nossos idosos, tantas vezes esquecidos, tantas vezes negligenciados, a definharem por culpa de um confinamento que os enclausura até perderem as suas faculdades cognitivas, até falecerem de tristeza, de solidão…avassalador.

Estou muito envolvida com tudo isto, porque trabalho com pessoas, porque sou humana, porque sou voluntária, porque vivo em comunidade.

Não obstante esta realidade, não significa que tenha que espelhar no meu blog sempre estas temáticas porque de covid já andamos nós fartos e no meu blog eu escrevo aquilo que me apetece, num dado momento, e principalmente coisas que me aliviem a alma (e eventualmente vos ajude a aliviar a vossa).

Fica o desabafo …

Dito isto não vim falar do que se fala todos os dias, mas sim partilhar convosco uma outra visão sobre o problema: a oportunidade que temos à nossa frente para nos unirmos no meio desta derrocada. Estamos tão focados no negativismo, na separação que parece que não vemos outro caminho que não seja o da desunião, o da reclamação constante, o da culpabilização gratuita, o de destilar ódio, o da falta de tolerância e paciência.


Mas não! Pelo contrário, estamos perante uma excelente oportunidade de identificarmos e aceitarmos um outro caminho: o do diálogo, o da empatia, o da compaixão, o do espirito de comunidade, o do amor.

Não adianta nada reclamarmos, atribuirmos a culpa a 500 pessoas, destilar ódio constantemente, isolarmo-nos (para além do fisicamente exigido), humilhar o outro; nada disso vai trazer paz, nada disso vai afastar o vírus, nada disso aumenta imunidade …pelo contrário, drena ainda mais a nossa energia, gera ainda mais caos, reprime o coração.

Acredite-se ou não, a terra devolve-nos o que nós damos (com palavras mais ou menos pomposas) portanto quão menos chateados, irritados e implicativos formos, melhor.

Estamos numa altura em que não devemos olhar sobre o EU mas sobre o NÓS, para conseguirmos superar tudo isto.  Vamos aproveitar esta fase para crescer, para aprender, para evoluir e só o conseguimos plenamente, com sentido de comunidade. Aliás, diria que no primeiro confinamento muito se promoveu a interação e maior integração na comunidade, pelo simples facto de termos atenção aos nossos próprios vizinhos, por exemplo.

Nunca sociedade cada vez mais isolada, individualista e egoísta; vamos promover e aumentar o espirito de comunidade, vamos olhar para o lado e perceber a quem podemos 'estender a mão'; vamos de facto retirar algo de bom no fim de tudo isto: atitudes que podemos e devemos aplicar na nossa vida, sempre.

A nossa vulnerabilidade

Tri, 28.01.21

É uma tarefa complicada esta de admitirmos a nossa vulnerabilidade perante os outros.

Vivemos numa sociedade que ainda valoriza muito pessoas que se posicionam como fortes e possantes o tempo todo. Como se demonstrar vulnerabilidade em alguns momentos fosse sinónimo de fraqueza.

Não há como negar que o significado de vulnerável está associado a fraqueza e suscetibilidade para ser magoado ou derrotado. No entanto, o nosso maior erro é traduzirmos literalmente isso à letra.

Então quer dizer que a pessoa vulnerável é fraca, frágil e facilmente destruída? Pelo contrário. A pessoa que tem a coragem de se demonstrar vulnerável é mais forte do que muitos que se apresentam como destemidos.

“Vulnerabilidade não é fraqueza, é coragem.”

E não sou eu que o afirmo, mas sim Brené Brown, cientista social nos Estados Unidos, que ganhou visibilidade na sua TED Talk “O Poder da Vulnerabilidade” onde afirma que é impossível conseguirmos evoluir, melhorar e atingirmos os nossos objetivos se não aceitarmos verdadeiramente quem somos, as nossas inseguranças, os nossos erros.

Ela desconstrói a noção de vulnerabilidade, esclarecendo que as pessoas que têm coragem, na verdade, são aquelas que não têm medo de se demonstrarem vulneráveis.

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E eu concordo, para estabelecermos as nossas relações, para nos ligarmos verdadeiramente ao outro, temos que nos permitir sermos vistos. Mas, vulgarmente, temos tendência a encobrir-nos para ser ‘o politicamente correto’, ou seja, para sermos aquilo que achamos melhor naquele momento ou que julgamos ser o que esperam de nós em dada situação; só nos abrimos ao outro e nos damos a conhecer depois de nos demonstrar ser de confiança. 

Temos aquela tendência para criar uma proteção, para vivermos com a sensação de que ‘não podem saber que sou assim, que gosto disto e daquilo’, pois sentimo-nos vulneráveis se virem como realmente somos e sentimo-nos expostos à vergonha.

Mas temos que nos permitir ser vistos, com as nossas forças e fraquezas, não querer mostrar perfeição. Isso é que é ser vulnerável. É afirmar os nossos sentimentos sem esperar nada em troca, é arriscar sem garantias, é investir em novos projetos que podem correr mal, é dizer todos dias ‘Gosto de ti’ a quem realmente importa e não esperar resposta de volta.

Nós tentamos controlar tudo para não nos sentirmos vulneráveis mas, de facto, a única coisa que nós controlamos em pleno somos nós próprios.

Os tempos que vivemos vieram demonstrar, à força, o quão vulneráveis somos, e, ainda assim, tentamos adaptar-nos e mostrar a força, método, organização…nada de vulnerabilidade, só se ficarmos doentes…

Então, vamos permitir sermos realmente vistos, principalmente pelos nossos, que se encontram tão perto e tão longe. Não vamos estar sempre com a nossa capa de guerreiros, a fazer-nos de fortes, a mostrar como estamos sempre bem e que tudo vai ficar bem. Temos direito a não estar sempre bem e felizes, e está tudo bem com isso!

Vamos ser gratos pelos que temos, por sermos vulneráveis, logo transparentes para quem nos rodeia, por corrermos riscos aceitando as consequências que daí podem advir.

 

os meus olhos ...

Tri, 10.12.20

E hoje alguém me perguntou: "o que dizem os teus olhos nesta fase da tua vida?"

Uma pergunta simples e direta mas com uma resposta pouco direta e espontânea, na verdade ...

Neste momento os meus olhos estão cansados com este ano muito duro, profissional e pessoalmente, e mesmo sem covid. Mas transmitem esperança, esperança no futuro, esperança de que possamos dar abraços demorados e sem culpa, de que possamos estar novamente todos juntos sem espreitar por cima do ombro.

No final de tudo acabam sempre por brilhar porque sou otimista, sou grata pelo que tenho e pelas minhas pessoas, e tenho aprendido essa lição ao longo da vida.

E os vossos olhos, o que dizem nesta fase da vossa vida?

 

“Faça o que ama e nunca mais trabalhe na vida”

Tri, 11.11.20

A célebre citação é de Confúcio, que foi um pensador e filósofo chinês. (ainda ponderei colocar a frase original mas achei que podiam não entender)

Mas será que é mesmo assim? Será mito ou verdade?

Num estudo que li há uns meses (já não consigo precisar onde foi, não me julguem), dizia que a cada 8 funcionários de uma empresa apenas 1 está feliz e satisfeito com o que faz (eu arriscaria a dizer: ‘ano de 2020 à parte, claro’).

Fiquei a matutar nestes números porque acho que são demasiado baixos, se passamos a maior parte da nossa vida no trabalho como podemos estar tão mal num local que nos consome o tempo? Isto é a pandemia da infelicidade no trabalho (perceberam a piada han?!)

Consigo conceber que em muitos casos as pessoas possam não estar efetivamente bem (e há ambientes onde se torna mesmo difícil, certo?) mas é um ponto crítico para o setor empresarial, pois as pessoas já não se motivam apenas por ‘um melhor salário’; também é importante sim mas está a perder para a satisfação pessoal de cada um. O ser humano tem evoluído e hoje em dia as pessoas dão valor a outro tipo de coisas, a conseguir ter algum tempo seu, a poderem investir no seu desenvolvimento pessoal, etc.

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Eu sou muito apologista de estarmos bem, fazermos o melhor por nós, o que queremos e que faz sentido para que possamos ser verdadeiros connosco (como acho que já sabem), mas também sejamos realistas, num mundo com sete biliões de pessoas é totalmente impossível que todos façam aquilo que amam e não sintam a dita ‘obrigação’ de trabalhar.

 

 

Uns pozinhos de paciência extra precisa-se

Tri, 30.10.20

Estou com um grave dilema no meu condomínio: ou vivo com phones nos ouvidos para não os ouvir ou tenho que cortar línguas alheias?! Nenhuma das opções me agrada…

Acontece que estamos com alguns problemas de infiltrações, humidades e afins. Ninguém gosta, óbvio!

Tal situação provocou inclusive dano total do chão da minha sala, prontamente acionei o meu seguro que após inspeção verificou que o terraço está mal feito, mal impermeabilizado, logo “mete água” (literalmente entenda-se), ou seja, culpa imputada ao condomínio por se tratar de uma área comum.

Estamos a falar de um condomínio pequeno, meia dúzia de casas e demasiadas chatices para tão poucas pessoas.

Após Assembleia em 2019 foi aprovada a dita obra (arranjar o meu terraço), sendo que eu me prontifiquei para arcar com as despesas de reparação da minha sala.

Ora sucede que a dita obra foi terminada agora em Outubro, mas não resolveu todos os problemas. Os vizinhos debaixo continuam com infiltrações em suas casas.

“E que culpa tens tu disso?”, perguntam vocês. (vá perguntem, para não ficar a falar sozinha)

Pois nenhuma, mas parece que o facto de a obra ter sido executada, e bem, e ter resolvido um dos vários problemas do condomínio incomoda muita gente. (é como o elefante…se um elefante incomoda muita gente, dois elefantes…vocês sabem a música)

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Então agora tenho 8 chamadas por dia para me chatearem a cabeça literalmente (e eu não atendo porque pasmem-se: tenho que trabalhar) e para exigir que os senhores das obras voltem para analisarem porque afinal não resolveram os problemas todos.

Agora a pergunta do joker: e se ponderarem, por um breve momento, que as infiltrações possam vir de outro lado e não do terraço (que está novo e bem feito) então aí podem deixar de me chatear.

E vocês, agora a ler isto, refletem sobre o seguinte: se calhar ela é a administradora do condomínio daí ligarem-lhe a insurgirem-se. (refletiram sobre isso, não foi?)

Pois, aí reside o cerne da questão não sou nem nunca fui administradora do condomínio. Considero que somos todos responsáveis pelas zonas comuns, são de todos e todos temos o dever por zelar pelas mesmas.

Mais, incomoda-me o estado das casas dos meus vizinhos e quero, efetivamente ver o assunto resolvido.

MAS, nem sou técnica especialista da área, logo não vou resolver, nem tenho nenhum consultório para ouvir todos os desabafos alheios diariamente.

Haja paciência!

E se algum de vocês souber onde isso se vende, agradeço a dica.