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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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além das aparências

Tri, 09.01.24

Na era das redes sociais, a pressão da produtividade tornou-se uma sombra constante pairando sobre nós como uma expectativa implacável. O discurso constante de rotinas super movimentadas, acordar às 5 da manhã e fazer inúmeras tarefas antes mesmo do pequeno almoço, tornou-se uma espécie de insígnia de sucesso: “queres fazer parte do clube do sucesso, acorda às 5 da manhã…”

No entanto, é imperativo desvendar essa fachada e compreender que produtividade não é sinónimo de valor acrescentado.

A sociedade atual reforça a ideia de estar sempre ocupado como um indicador de conquistas. No entanto, a verdade é que essa corrida desenfreada para cumprir metas, muitas vezes deixa um rasto de ansiedade, exaustão e uma sensação de vazio. A pressão para corresponder às expectativas, especialmente as alimentadas pelas redes sociais, coloca em segundo plano a qualidade de vida que devia ser alvo do nosso foco.

Vemos constantemente a publicação de fotos de listas com os afazeres matutinos e relatos de horas extraordinárias de trabalho que nos leva a criar a ilusão de uma vida repleta de realizações. No entanto, por trás dessa cortina de atividade aparentemente incessante, esconde-se a realidade de que a verdadeira produtividade não pode ser medida apenas em horas trabalhadas ou itens riscados em uma lista.

É crucial questionar a narrativa da "superprodutividade" e reconhecer que cada um tem seu próprio ritmo e suas próprias necessidades e que a verdadeira realização está na qualidade do que fazemos, na paixão investida nas nossas atividades, e no equilíbrio saudável entre trabalho e bem-estar.

Apressarmo-nos para cumprir padrões inatingíveis pode resultar num esgotamento que prejudica não apenas a nossa saúde física e mental, mas também a autenticidade das nossas realizações.

Em última análise, desvincularmo-nos da corrida incessante pela produtividade é um ato de coragem. Valorizar o equilíbrio, reconhecer que o tempo é um recurso precioso que deve ser gasto com sabedoria, e desfazermo-nos da necessidade de mostrar, constantemente, aos outros que estamos sempre em movimento são passos cruciais para uma vida mais autêntica e plena. Não se trata de fazer mais, mas sim de fazer o que realmente importa.

 

olá novamente

Tri, 24.02.22

De facto “quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga”, já dizia Variações e tão certeiro que foi.

Temos tendência a querer ‘levar tudo para a frente’, a estarmos sempre disponíveis para qualquer coisa mas temos limites, não somos robots e quando fazemos as coisas em piloto automático, a nossa cabeça já nem processa…andamos programados e nem atentamos no que se vai passando à nossa volta nem connosco, até que percebemos que nos aproximamos do abismo…

Damos por nós inseridos numa série de projetos ou obrigações da vida e, de repente, não vivemos, corremos!

 

Acordamos a correr de manhã, para termos tempo de comer e sair antes de começar o trânsito, trabalhamos a correr para fazer todas as tarefas, vamos a correr ao ginásio, às aulas, buscar o miúdo ao infantário, passar na casa da mãe para levar qualquer coisa, levar a miúda ao karaté, tudo a correr …. Até que o corpo nos obriga a parar! Até que percebemos que não podemos viver sempre nesse ritmo, todos temos limites.

 

A minha vida não é diferente, correria e stress constantes, se bem que eu cuido de mim e faço mesmo por isso, aliás a minha meditação diária é já fulcral na minha vida, sinto mesmo que se não começar o dia “a parar” tudo vai ser mais stressante; ainda assim, o dia começa e queremos abraçar tudo, chegar a todo o lado e tratar de todos os recados, e portanto começa a correria...

 

Felizmente consegui aperceber-me a tempo, caminhava a passos largos para um burnout (estes termos pomposos de hoje em dia, até parece uma coisa boa de se ter), que mais não é que um estado de exaustão excessiva seja física, emocional ou mental.

 

Acredito que os últimos anos tenham auxiliado a que este caminho fosse mais rápido, mas não, a culpa não é da pandemia, é minha, que já vivia a correr entre todos os meus afazeres…se calhar estes anos só acentuaram a situação e permitiram-me aperceber e tomar medidas.

 

Procurei ajuda e tenho sido seguida pela minha terapeuta (que é um doce, diga-se de passagem) e acaba por ser fantástico este processo, pois por causa de uma coisa má somos levados a uma série de exercícios, de mudança de hábitos e rotinas, de descoberta pessoal…acabamos por aprender muitos de nós próprios que não sabíamos.

 

E como não? Não deveríamos ser as pessoas que melhor nos conhecemos?

 

Isto para reforçar, mais uma vez (mas nunca é demais) que a saúde mental é de extrema importância, é o que nos permite lidar de forma estável com as emoções positivas e negativas.

 

Mas atenção, a saúde mental não é simplesmente a ausência de doença, é sim o conjunto entre o bem-estar físico, mental e social que nos permite interagir com diferentes realidades e conseguir gerir as diferentes emoções que tal nos possa transmitir.

Estejam atentos aos sinais, aos vossos e aos dos que vos rodeiam, pois podem ter um colega ao vosso lado com um sorriso no rosto mas numa clara depressão.

 

E como eu disse, ao contrário de algumas pessoas que conheço, eu até vou cuidando de mim e vou-me obrigando a parar ao longo do tempo, não obstante as responsabilidade da vida nos encaminharem para o stress, acabamos por nos desleixar um pouco de nós e o resultado final pode não ser positivo. 

 

Portanto, com tempo, ao meu ritmo, irei voltar a estar por aqui, que é algo que me dá muito gosto. Apesar de parecer fantasma, continuo a acompanhar-vos, gosto de ler o que escrevem, dá-me alento nalguns dias … se bem que as leituras do dia de hoje sejam negras, dada a atual crise que se instala na Europa. (conversa para outro post vá)

 

Um até já.