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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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desperdício têxtil e o armário-cápsula

Tri, 29.04.21

Não é apenas no lixo e desperdício alimentar que devíamos ter o nosso foco, as roupas que usamos e que rapidamente substituímos por novas também podem, e devem, ter uma nova vida.

O consumismo anda de mãos dadas com o desperdício e isso afeta tanto como o lixo que não separamos, a comida que desperdiçamos e tudo o resto que poderia ter uma segunda ou terceira reutilização. 

No caso do desperdício têxtil os números são aberrantes, em Portugal deita-se para o lixo cerca de 200 toneladas de resíduos têxteis por ano, segundo dados da APA – Agência Portuguesa para o Ambiente.

Felizmente já há projetos e empresas super interessantes para fazer face ao desperdício no planeta. Deixo alguns que conheço e acho muito positivos, para que possam explorar e conhecer também:

Salvar comida: Too Good To Go

Reutilização têxtil: Ultriplo

Reciclagem têxtilSasia

Foi essa consciência que me fez pesquisar e perceber melhor um conceito que muito ouvia, o de ‘armário-cápsula’. O armário-cápsula pretende demonstrar que com um número limitado de peças no nosso roupeiro conseguimos vestir-nos todos os dias de forma diferente e muito mais facil e rapidamente, pois a escolha é menor.

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No fundo este conceito concentra em si muitas ideias, a simplicidade da vida, conseguimos vestir-nos mais rapidamente pois temos todas as peças expostas e a escolha é menor, logo é menos um tópico para nos encher a cabeça; temos tudo mais organizado pois não acumulamos roupa que só usamos de ano a ano; redução de consumo, pois a lógica é investir em boas peças de roupa, com qualidade, que possam durar muitos anos, e não em peças baratas que em menos de 2 anos apresentam desgaste e são substituídas; a ideia é investir na longevidade ao invés da rotatividade, logo menos desperdício têxtil.

 Ter o nosso armário mais reduzido não é só pensar no próprio bolso ou na organização da nossa vida, é pensar no consumismo e no seu impacto no ambiente: mais consumismo obriga a mais produção, que leva a mais falsificação de materiais e, consequentemente, os materiais deixam de ser duráveis, deixam de ter qualidade, utilizam também mais recursos como a água e outros necessários para a confeção da roupa.

Acima de tudo, a ideia é ter um armário consenciente: consciente do impacto que ele pode ter na nossa vida e no meio-ambiente, e não tanto um armário que seja restrito a um determinado número de peças de roupa. (o meu não tem nenhum limite mas levou uma grande volta e redução)

Ter um armário consciente é saber onde é feita a roupa e com que materiais, idealmente apostar na economia local e incentivar produtos nacionais, ainda que mais caros pois são feitos com respeito pelos seus trabalhadores e isso traz mais encargos. (eventualmente tal preocupação estende-se a tudo aquilo que consumimos e dou por mim a questionar tudo: de onde vêm estes legumes? Esta fruta tem químicos?)

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Nada do que não tenho me faz falta

Tri, 25.01.21

Esta minha viagem pelo minimalismo, ainda não é muito longa, começou em 2018 e tem tido um tal impacto positivo na minha vida que só tenho motivos para partilhar o que fui descobrindo e aprendendo. (mas como não somos todos iguais, não temos que ter todos as mesmas aprendizagens, não é verdade)

Esta reviravolta na minha vida começou com o enfrentar a realidade e ver ‘a tralha’ há minha volta (não vivia atolada mas vá, todos temos tralhas) e perceber que não me conseguia orientar, organizar o que quer que fosse. O meu escritório tinha todas as canetas alinhadas, as folhas e blocos de notas sempre arrumados, as minhas pastas sempre devidamente arquivadas e no resto, bagunça total…até que comecei o meu processo precisamente a fazer uma escolha às minhas tralhas, guardar o que um dia poderia ainda ser útil e deitar fora tudo o que já não o era.

Mas atenção, tralha não é sinónimo de lixo! Tralha é sim, tudo aquilo que temos em casa (ou nas nossas vidas) e ao qual não damos uso, não necessitamos, que não nos acrescenta valor ou que simplesmente já não gostamos. Isso sim é tralha, mas pode ser tudo coisas boas…boas para outras pessoas e outras vidas, por exemplo ;)

Este conceito que muito se fala (e eu falo e aplico claramente) é diferente de organizar, limpar ou arrumar. Consiste sim em deitar fora as ditas tralhas, livramo-nos delas, do que é inútil, libertar espaço. (válido para espaço físico ou mental)

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Agora, se me perguntam se houve vezes em que abdiquei de coisas e mais tarde me lembrei ou precisei delas. Sim, claro que houve!

 

Destralhar a minha mãe …

Tri, 19.01.21

Bem, não foi bem a ela, foi mais a casa dela vá (eu também não sou assim tão mazinha) ;)

Consegui uma missão impossível, começar a pôr as mãos na tralha acumulada naquela casa durante uma vida.

Convenhamos que ninguém precisa de tanta coisa para viver, acho que já devíamos todos ter aprendido isso.

A minha mãe descobriu coisas para as quais não olhava há anos (muito menos usar), portanto para quê ter? Só para ocupar espaço, acumular pó e custar mais a arrumar?

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E perguntam vocês: “então conseguiram destralhar e arrumar uma divisão da casa?” (mais alto que não estou a ouvir …) Não senhora! Conseguimos destralhar umas gavetas e já foi muito.

Há todo um desapego emocional que tem que ser trabalhado primeiro. As coisas só têm o significado que lhe queremos atribuir e nada mais.

As memórias que ficam são dos momentos que passámos com as pessoas, o que vivemos juntos, o que conversamos, as aventuras e problemas que ultrapassámos; as memórias não são os objetos que guardamos.

Podemos não ter essa consciência mas o apego às coisas, pessoas e ao passado é um dos maiores entraves das nossas vidas.

 

Mas eu percebo a ligação e entendo que não se muda o ‘chip’ num dia, todos temos o nosso processo. Eu também tive o meu e, por exemplo, destralhei mais de 6 vezes a mesma gaveta, de cada vez conseguia deitar fora sempre algo mais, libertar aquelas energias. Mas passaram meses entre esses momentos…todos temos o nosso tempo.

Praticar o desapego não significa abrir mão de tudo o que é importante para nós, romper vínculos afetivos ou relacionamentos com aqueles que fazem parte da nossa vida. É simplesmente encontrar o equilíbrio saudável entre desfrutar dos relacionamentos sem atribuir significados a bens materiais que nos prendem.

Ainda assim o nosso destralhanço correu bem (convenhamos que foi mais produtivo porque fui deitando algumas coisas fora sem ela ver) mas ainda há muito caminho pela frente, muita coisa para organizar, separar e encaminhar para uma nova vida.

Eu gosto de destralhar, gosto da sensação de organização, de começar a ver as coisas a ganhar forma. Para cheia já basta a minha cabeça às vezes, não preciso que os espaços à minha volta sejam iguais.

Aproveitem mais ‘uma fornada’ de confinamento, para também organizarem o vosso espaço, onde passam tanto tempo, vão ver que até as ideias se arrumam melhor. ;)  

Mais do que reduzir ao essencial... é VIVER mais o ESSENCIAL

Tri, 24.10.20

Nunca como agora tivemos tanto acesso às coisas, à informação e nunca como agora fomos tão impelidos a adquirir coisas que ‘supostamente’ nos vão fazer ‘sentir melhor’.

Tal leva muitas pessoas a questionarem-se e deixarem ‘entrar’, cada vez mais, o minimalismo nas suas vidas.

O Minimalismo tornou-se moda, no entanto, é muito mais do simples espaços brancos e imaculados com uma cadeira e uma planta. (parece que nunca ninguém vive lá, não é?)

A estética simples é deveras atrativa e ajuda em muito ao objetivo principal, pois se a casa está mais simples facilita a tua vida em tudo, mas o minimalismo não pode ser colocado assim numa caixa pois é muito mais do que isso.

Eu creio que o minimalismo é uma forma de vida, uma forma de chegar a um objetivo elevado: Viver mais o Essencial para cada um de nós.

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Ou seja, fazer o que gosto, estar com quero, sentir-me realizada enquanto pessoa todos os dias, dar a minha atenção plena ao que faço e às pessoas a quem dedico o meu tempo.

E isso é efetivamente diferente para cada um de nós, de acordo com o que ambicionamos. Daí não existir nenhuma fórmula mágica para este processo, apenas dicas de diferentes pessoas que podemos pegar como exemplo e ver se fazem sentido para nós.

Eu comecei a vida minimalista pelas roupas, a tentar reduzir ao mínimo indispensável para viver em vez de ter 2 armários de roupa; depois passei para o meu quarto, retirar bibelôs sem significado, lembranças de casamentos que só ganham pó, etc.; e daí percebi que poderia aplicar esta lógica a todas as áreas da minha vida.

E foi assim que simplificar se tornou quase um vício, pois podemos aplicar também às relações e à forma como gastamos o nosso tempo.

E convenhamos que não há nada de mais valioso que o nosso tempo, pois este vai encurtando e devemos valorizar e utilizar muito bem o nosso tempo, naquilo que queremos e gostamos. (vá, mesmo num trabalho que não gostamos, conseguimos ver as coisas positivas que o mesmo nos traz e valorizar isso mesmo, certo?)

E como disse no último texto, para valorizarmos mais o nosso tempo há que ‘retirar distrações’ do caminho, há que dizer mais vezes ‘Não’. (que é chato e não queremos desagradar ninguém)

Ou então, em vez de vivermos com o essencial, podemos conformar-nos e viver dentro dos padrões, com o que consideramos que é correto mas não nos apetece assim tanto, fazer o que achamos melhor em dada situação em vez daquilo que queremos efetivamente.

Assim, podemos manter-nos naquela relação que já não funciona, depois de várias tentativas; com um emprego que nos desmotiva e nos retira toda a energia; continuar com as constantes discussões com um familiar com quem não nos identificamos mas teimamos em socializar ‘porque tem de ser’ ou guardar aquele bibelô que recebemos no Natal e que não doamos só porque parece mal ou nos iriamos sentir mal com isso.

No final da nossa vida, quando já tivermos mais tempo livre, quando já formos obrigados a parar e tivermos muito tempo para pensar, vamos poder contemplar a nossa vida ..e será que nos vamos sentir mais felizes por termos guardado aquele bibelô? Será que vamos sentir-nos melhor por naquele Natal termos convidado o tio com quem não nos damos ao invés de convidar amigos do coração?

Ou podemos parar já! Refletir sobre a nossa vida e ir tomando as rédeas, ir implementando alguns hábitos saudáveis, ir mudando algumas coisas que nos encaminhem para onde queremos estar, fazer escolhas.

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 E, para tal, há que dizer não a algumas coisas e pessoas, talvez deixemos alguns grupos, alguns hobbies que já não

dão assim tanto prazer ou então não precisamos de fazer nada disso, se estivermos bem com o que temos!

É essa a magia do minimalismo, ninguém é obrigado a deitar nada fora, a viver numa casa sem móveis ou com poucos bens de forma a que caibam todos numa única mochila. Não, cada um deve apenas reduzir o que faz sentido para si e para o que quer da sua vida.

Por isso podemos ser minimalistas e ter mais que “meia dúzia” de peças de roupa, se isso é importante e faz sentido, podemos ter uma casa colorida (e não pálida), podemos ter a casa cheia de livros e mais do que 2 móveis na sala.

 O que devemos é focar-nos no essencial da vida e que são as pessoas. Os bens vêm por acréscimo servem para nos melhorar o conforto mas não devem ser o objetivo.

Minimalismo: mudar por dentro e por fora

Tri, 15.08.20

Como já disse, e é de conhecimento público, o Minimalismo é um conceito, que tem ganho cada vez mais adeptos na nossa sociedade, está efetivamente na moda. (ao menos é uma “moda” bem positiva)

Como todos os conceitos que são esmiuçados até à exaustão (posso falar muito posso, realmente...) pode parecer redutor o conceito, por vezes, ou o inverso e ser levado ao extremo por algumas pessoas, no entanto, o cerne da ideia é vivermos apenas com o que precisamos e nada mais e consumirmos de forma consciente e responsável. (pasmem-se: sim, podemos ser minimalistas e consumir!)   

Tendo presente a nossa consciência enquanto consumidores, creio que todos temos noção de que consumimos em excesso e que muito do que consumimos, na verdade não nos acrescenta, pelo contrário rouba-nos (tempo e dinheiro quanto mais não seja). Somos constantemente manipulados, não para perceber a necessidade daquela compra e se é efetivamente uma carência, mas sim para associar prazer à aquisição de algo, felicidade até.

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Um prazer que como todos sabemos é falso, é momentâneo e o problema aqui é a necessidade de mudarmos o nosso mindset, a nossa forma de pensar e de não nos deixarmos coagir por determinados testemunhos, publicidades e afins.  Porque a falsa sensação de satisfação e alegria quando adquirirmos algo vai, a dado momento, transformar-se em frustração e uma sensação de vazio.

Por isso devemos focar-nos no âmago da questão: o que é que me leva a querer comprar isto? Qual a sensação que espero obter quando tiver determinada comprar?

E, talvez seja, nesse momento que nos apercebemos que não é pela aquisição compulsiva de bens que determinada sensação desaparece (caso contrário não teríamos a constante vontade de ir às compras) e é aí que muda o mindset e devemos trabalhar no objetivo que queremos atingir, que queremos sentir e não refugiarmo-nos em compras.

Claro que se pode viver a vida nesse registo de comprar compulsivamente e encher a casa de coisas, (até porque o mundo não vai virar todo minimalista e, de repente, fecharem todas as fábricas para que não hajam mais bens de consumo) e há milhares de pessoas que o fazem sem questionarem as suas necessidades, os benefícios duradouros que essas compras podem trazer para a sua vida.

 

E tudo bem com isso! Só faz sentido lermos sobre qualquer assunto e aprofundar quando o mesmo se enquadra na nossa vida, quando faz sentido para nós e não apenas por modas porque, deixo já o aviso, não vai funcionar. (e seja isso ser minimalista, passar a ser desportista, ser um leitor diário, virar vegetariano, enfim, seja o que for…)

Assim, o minimalismo vem trazer à tona algo que parece quase invisível na azáfama da nossa vida atual: o Tempo.

O tempo é somente a Vida, que podemos viver intensamente ou simplesmente passar por ela. E é aqui que reside a diferença, possuindo menos coisas despendemos menos tempo a tratar das ditas, logo tempo mais tempo para fazer e estar.

E não é necessário uma grande reflexão para perceber isso. Por isso, creio que o minimalismo é um caminho, o caminho que queremos para a nossa vida e como se costuma dizer “o caminho faz-se caminhando” pelo que não se pode querer passar a ser minimalista, deitar tudo para o lixo e já está.

Não, mais importante que deitar coisas fora, é perceber o conceito e identificarmo-nos em possuir menos e viver mais, é mudarmos por dentro para podermos mudar por fora (destralhando, como se costuma dizer), é percebermos o estilo de vida que temos e o que gostaríamos de ter e promover a mudança.

E vocês que mudanças gostariam de implementar na vossa vida?

O meu destralhanço

Tri, 16.07.20

Ora isto depois de se inventar uma palavra pode-se fazer toda uma conjugação verbal com a mesma, não será verdade?!

O Priberam não reconhece destralhanço, não precisam de ir procurar que eu facilito-vos a vida, mas eu digo-vos o que é: diz a linguagem corrente que 'é o ato de deitar fora tralhas'. 

Na minha vida desfazer-me de coisas, literalmente, foi libertador, fez-me ganhar espaço, tempo, clareza. Libertei-me de coisas em casa e no meu escritório, aos poucos, com tempo, não foi uma mudança radical num só dia, mas o impacto foi muito positivo.

Só quando nos predispomos à mudança, quando decidimos começar a separar as coisas, a deitar fora, é que nos depararmos com a montanha de coisas que temos. No fundo já sabíamos que tínhamos muitas coisas mas ter a certeza e encararmos toda a tralha com números concretos é muito mais impactante.

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O problema é que, normalmente, as nossas coisas (vulgo tralha) estão todas arrumadas nos seus armários, logo não damos pela sua presença e vamos juntando mais peças e acumulando sem nos apercebermos disso.  Só quando iniciamos este processo é que percebemos a quantidade de coisas que ainda temos guardadas e que não vemos, não consultamos, não lemos há anos, que não vestimos nos últimos três anos (e que na verdade nunca mais voltaremos a vestir porque já não nos servem), enfim percebemos a importância e urgência de destralhar.

 

 

Como começar

Tri, 13.07.20

O minimalismo sente-se, diria eu. Interessa-se pelo assunto, pesquisa-se, estuda-se, implementa-se. Não há nenhuma regra, nem nenhum ponto por onde começar. (mas se está a ler este texto, creio que já tem algum interesse/curiosidade pelo assunto)

No entanto, diria que a grande maioria das pessoas começa por se desfazer dos bens materiais que tem a mais à sua volta, eu inclusive, o chamado destralhar (palavra inventada não sei por quem, mas que explica perfeitamente o que se pretende).

Todos nós acabamos por acumular alguma tralhar que nos rouba tempo, atrapalha o nosso dia-a-dia mas o nosso verbo chave é: simplificar.

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Minimalismo na minha vida

Tri, 10.07.20

O Minimalismo entrou na moda, o que me deixa bastante contente dados os benefícios que vejo que possa trazer para a vida de todos, desde que seja efetivamente implementado na sua génese.

Ou seja, que não se olhe para o minimalismo como uma moda ou um estilo de decoração apenas pois o minimalismo é muito mais do que isso e as mais-valias são imensas. (vá, o pinterest tem fotos de inspiração lindas mas é muito mais que isso)

Ultimamente tenho vindo a pensar nos motivos que me levaram a seguir este caminho do minimalismo e foi algo tão natural e necessário há minha essência que, de facto, acho que não vejo como poderia ser de outra forma. (essência essa que é um pouco parva, aviso desde já, para quem ainda não me conhece)

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E como começou tudo para mim?

O meu primeiro contacto com o minimalismo foi com o livro e documentário ‘Minimalism’ (que cliché), de 2016, mexeu comigo e deixou-me a refletir sobre tudo aquilo. Apresentava opiniões muito radicais, achei eu, pontos de vistas algo controversos e que me deixaram a refletir (algo que sempre gostei de fazer).

 

Impulsionou em mim a ânsia do querer saber mais, da procura, e dei comigo a pesquisar por todo lado, a ler livros, a ver documentários, a refletir de que forma faria sentido na minha vida, a aprofundar os assuntos e adorava muito do que lia.

E foi assim que decidi que iria começar a reduzir os excessos da minha vida!

(todos os excessos mesmo…até o excesso de peso)

Neste post partilhei alguns livros e documentários que vi há alguns anos mas pretendo em breve atualizar esta listagem que já é bem mais extensa (inevitável com tantos anos de leitura e pesquisa).

Mas de facto, o minimalismo é um estilo de vida (que adotas e já não mudas) não é simplesmente uma plástica aos espaços onde, de repente, tudo é branco, não existem objetos apenas um pequena planta verde a enfeitar et voilá, temos uma casa minimalista.

Esta conceção de minimalismo instantâneo não existe e sejamos honestos, nós enquanto pessoas temos obrigatoriamente de mudar, senão nada neste conceito faz sentido, e sinto que de tanto se falar e mostrar, o verdadeiro objetivo se está a perder pois é muito mais que uma casa imaculada, um espaço sempre arrumado ou deitar coisas fora.

Até porque se fizer sentido para mim ter coisas, devo ter! Desde que as mesmas acrescentem algo há minha vida, façam sentido, sejam uteis, e não apenas mais coisas para arrumar em casa. Do que nos devemos livrar é do acessório.

Comigo começou há alguns anos, e de forma muito subtil, e ao longo desse tempo obriguei-me a fazer escolhas mais conscientes que, para além de me facilitarem o dia-a-dia, tornavam a minha mente menos assoberbada com opções e escolhas: mais liberta.

Irei partilhar convosco este processo que é pessoal, e diferente de pessoa para pessoa, espero que seja útil para vos acicatar a curiosidade, para promover uma maior consciência na vida diária e quem sabe levar a mudanças efetivas, pois de facto não há nenhuma fórmula exata para o minimalismo. 

Mas o que é isto do minimalismo?

Tri, 10.07.20

É um movimento artístico? Estilo musical? Estilo de decoração?

Na verdade é tudo isso sim, mas muito mais. Já tanto se disse e escreveu sobre o assunto mas o minimalismo não é, de todo, passar a viver numa casa quase vazia com móveis todos brancos, deixar de fazer compras e dedicar a vida a viajar simplesmente. (se bem que esta uma última não me desencanta)

O minimalismo é um estilo de vida e não tem regras definidas, ao contrário do que algumas pessoas dizem, cada pessoa define as suas próprias “regras”, o que faz sentido para si e para a sua vida.

 

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Ou seja, é um estilo de vida cuja ideia é focar em ter apenas os bens essenciais para viver, para que não percamos tempo com os objetos mas sim tempo connosco e com as pessoas que nos interessam. A ideia é simplificar a vida, por forma a aproveitá-la da melhor forma e com aquilo que nos der prazer e fizer sentido para nós. (deixarmos de perder tanto tempo a limpar a casa e ter mais tempo para comer crepes com nutella…é só uma sugestão! Não me julguem já, vá.)

 

É uma ferramenta que pode auxiliar todos aqueles que estiverem dispostos a livrar-se dos excessos em prol do que é importante para a sua estabilidade, realização pessoal e felicidade. E cabe a cada um saber o que é importante para si mesmo, assim, esta mudança está diretamente relacionada com a forma como cada um perceciona a felicidade. (mas não vamos cair no exagero de deitarmos mesmo tudooo fora)

A ideia de uma vida simples e focada no essencial existe há milhares de anos, ninguém inventou a roda, simplesmente, nós ocidentais, estamos a descobrir as mais-valias de nos focarmos no ser ao invés do ter, da simplicidade da vida, que é efémera e, como tal, deve ser aproveitada da melhor forma, de encontrarmos contentamento no facto de termos menos. 

Assim, de acordo com o minimalismo, removendo da nossa vida coisas que não acrescentem valor podemos experienciar uma série de benefícios, como redução do stress, mais tempo livre, mais tempo de qualidade com entes queridos, maior estabilidade financeira, etc, simplesmente porque reduzimos a quantidade de coisas ‘palpáveis’ com as quais gastávamos dinheiro a comprar, a arrumar, a mandar limpar…(percebem a ideia não é? Eu sei que sim.)

a simplicidade na minha vida

Tri, 28.09.18

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Pare. Respire. Viva feliz

 

Reciclar e reutilizar são práticas que sempre fizeram parte da minha vida; desde que me lembro de ser gente que em minha casa se guardavam todos os materiais que mais tarde poderiam vir a dar jeito (e davam!), seriam usados para fazer prendas de Natal originais, por exemplo, e assim se dava nova vida aos frascos de vidro, uma nova reinterpretação das calças de ganga rotas, entre outros projetos.

 

Como tal, viver uma viva simples, reaproveitar e reciclar tudo o que fosse possível, sempre foi prática comum na minha educação paralelamente com o ser amável para com o próximo, ajudar sempre e dar amor.

 

No entanto, guardar tudo também é acumular

 

Esta minha luta e inquirição por um estilo de vida melhor surgiu numa altura em que sentia demasiadas coisas há minha volta; demasiada desorganização e tudo me incomodava.

Precisava de simplificar e de abrandar.

 

Foi assim que encontrei o minimalismo, um estilo de vida que me fez questionar o papel de cada coisa, cada compromisso e cada pessoa na minha vida.

 

Permitiu-me não só eliminar inúmeras coisas na minha vida, mas também deu azo a novas curiosidades, pesquisas e descobertas e introduzi aos poucos novos hábitos alimentares, a meditação e, posteriormente, o yoga (ainda estou nesta fase…e a tentar tornar rotina)

 

Atualmente vivo uma vida mais simples e focada, se bem que tal não é uma meta, tem sido sim o meu caminho. Nada está ainda conquistado, ainda tenho muito a aprender e muitas ‘pequenas’ adaptações a fazer na minha vida.

 

E, sem sombra de dúvida, que este mundo da blogoesfera tem sido uma fonte inesgotável nesse sentido: pessoas imensamente inspiradoras, blogs cheios de dicas e utilidades, blogs cheios de pensamentos e reflexões que, mesmo sem comentar, gosto sempre de por lá passar e parar 5 minutos a pensar sobre aquelas palavras (letras, vá).

 

Estou constantemente à procura de novos desafios (adoro Auto propor desafios e dar o meu máximo para os cumprir) e procuro novas práticas que possa integrar no meu dia-dia, de forma a poder alcançar o meu propósito: viver uma vida simples e plena, tentando tornar o mundo um lugar melhor.

 

Partilho convosco um pouco do início destas minhas descobertas (à uns anos) para que também vos possa ser útil e ajude a viver plenos e felizes!

 

Os livros que li e guardo:

“Minimalism: Live a Meaningful Life”, Millburn, Joshua Fields

“Regras Simples”, Donal Sull

“Adeus coisas”, Fumio Sasaki

“Por uma vida Mais simples”, André Cauduro

 

Os documentários que acompanhei e revejo:

- What the Healht

- Cowspiracy

- Minimalism: A Documentary about the important things

- Expedition Happiness

- Decrescimento

- Humanos

- Sustainable

- Oceano Plástico

- Food choices

- True Cost

 

Os Blogs que descobri e sigo:

Abundant life with less

Just Smile

The busy woman and the stripy cat

Thrive or survive

Ana, go slowly

Nadine Rebecca

A mulher que ama livros

 

 
Espero que vos seja útil, caso partilhem da mesma curiosidade.