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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

Estou só a dizer coisas ...

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quando a vida abranda por dentro

Tri, 19.07.25

Há dias em que tudo desacelera por dentro, mesmo que o mundo continue a correr lá fora, como se nada fosse.

aqui vos tinha falado um pouco do meu tio. Sim, está pior,  está a definhar. Devagar. Silenciosamente. E nós cá vamos assistindo a este adeus que não tem data marcada, mas que já se adivinha.

A medicina faz o que pode — já não para curar, só para aliviar e nós, impotentes, só tentamos que ele sinta o mínimo de desconforto possível. 

É estranho pensar nisto enquanto o mundo continua com pressa, enquanto todos continuamos com os nossos afazeres, responder aos e-mails, desligar os alarmes, correr para o ginásio, ir às compras, levar o miúdo à natação e, assim, seguimos...distraídos. Sempre a adiar as visitas, os jantares em família, os telefonemas que nunca acontecem, o café com aquele amigo que 'havemos de marcar pha, já não falamos há muito'. Achamos sempre que há tempo, mas não há. Ou se há, é sempre menos do que julgamos.

Nós temos tentado 'travar' o tempo (como se tal fosse possível) para recuperar algum tempo perdido, quando a família não se juntava porque havia outros compromissos e achávamos que no mês seguinte ainda iamos a tempo ... temos juntado os irmãos regularmente, temos partilhado histórias e memórias, temos percebido como foi uma vida vivida, com dificuldades e, mais tarde, alguma folga fruto de muito trabalho e suor. Mas temos tentando, estar presentes; aproveitar o momento juntos...nunca sabemos quando será o último. 

A verdade é que a vida passa mesmo depressa; vivemos tantos anos mas parece sempre que passou a voar, que falta sempre tempo para fazer mais alguma coisa. Ainda há pouco tempo, tivemos o exemplo disso, dois jovens cheios de sonhos, com a vida pela frente, com esperança e desejos, deixaram-nos precocemente e com a sensação de injustiça, duas vidas lavradas tão de repente, tão cedo...quando ainda tinham tanto para fazer. 

Mas assim é a nossa vida, num dia está tudo normal, no outro, já nada é igual. Num momento estamos ali a rir às garagalhas, numa conversa da rotina, num almoço partilhado como tão bem sabemos fazer, e no outro já estamos no corredor de um hospital a tentar encontrar ar entre suspiros e memórias.

Hoje, mais do que nunca, sinto que precisamos de parar. Parar de correr, de adiar, de fingir que somos eternos e precisamos de viver com mais presença, com mais entrega, com mais verdade e menos distração, com mais Amor.

Porque, no final, só o Amor importa, é o que levamos desta vida: o Amor que demos e recebemos, os momentos que soubemos saborear e guardar no coração.

Vivam mais, vivam com Amor.   

pai

Tri, 19.03.23

Pai, podes vir buscar-me? Pai, está aqui um aranha enorme. Pai, podes levar-me à festa mais à J. e C.? Pai, tive um furo no boguinhas. Pai, corriges-me este texto? Pai, dói-me a barriga. Pai, não chego lá cima. Pai, dói-me, outra vez, os ouvidos. Pai, perdi as chaves de casa na visita de estudo. Pai, a mana está a chatear-me. Pai, não quero dormir já, posso ler só mais um capítulo? Pai, temos jogo de andebol no domingo. Pai, descascas-me as laranjas? Pai, dás-me dinheiro para ir ao cinema? Pai, a mãe está a chamar. Pai, a mana está a chamar. Pai, a mãe deu comida a mais aos meus peixinhos. Pai, a lâmpada fundiu. Pai, perdi o dinheiro que me deste. Pai, tenho um recado da escola. Pai, quero fazer um jantar com amigos, fazes o pitéu para todos?

Pai, cresci. Pai, descascas-me as laranjas para eu levar prontas para minha casa? Pai, estou na rua, fechei a porta com a chaves lá dentro. Pai, quero pôr mais prateleiras na marquise. Pai, preciso de lenha para a lareira. Pai, fiquei sem bateria no carro. Pai, tenho que dar as leituras à EDP. Pai, podes viver para sempre?

seremos mesmo o espelho dos nossos pais?

Tri, 04.09.17

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Dizem-nos durante toda uma vida “é a cara chapada da mãe.”, “Ai que feitiozinho, sai mesmo ao pai”, “tal pai, tal filho”, e será que somos mesmo assim tão iguais?

Será que os nossos feitios e personalidade são ditados pelos nossos pais e respetivos feitios? Será que não desenvolvemos a nossa própria personalidade ao longo da vida á medida que vamos crescendo? Será que somos assim tão iguais?

E a resposta é sim, eu creio que sim!

 

Eu vejo por tantos casos que me são próximos, amigos e família, como os pequenos absorvem tudo que nem esponjas.

Assisto ao crescimento de algumas crianças pensando ‘que orgulho, que esperta e inteligente ela está a ficar’ refletindo que os exemplos daqueles pais são de facto positivos, as regras que lhe são impostas fazem todo o sentido, as atividades culturais que partilham com a criança são muito benéficas e, dessa forma, creio que estão a fazer um bom trabalho.

 

No entanto, vejo outros em que penso ‘ai no que ele se está a tornar’ e, de facto, é mesmo isso com pais com uma índole um tanto ao quanto duvidosa, amargos e insurretos, as crianças repetem os seus hábitos, educação (ou falta dela) e as tendências que as envolvem.

Assim, a criança torna-se pouco simpática, social e até autónoma nas funções básicas da vida, mas de facto a culpa não é da criança, mas sim da sua envolvente, mas sim dos exemplos (ou não) que lhe são passados.

 

A criança é totalmente condicionada e influenciada pelo seu meio ambiente, pelos exemplos dos pais, as conversas que os mesmos têm, os hábitos do dia-dia, são determinantes para o desenvolvimento da criança.

 

Todos temos a consciência de que viemos ao mundo fruto da união entre duas pessoas (com mais ou menos amor, não está em causa), e das quais herdamos geneticamente características que nos distinguem a cada um de nós de forma particular. Muitas destas características revelam aquilo que nós somos como pessoas, embora não totalmente, pois há coisas que o meio social nos transmite quase sem nos apercebermos.

 

Assim percebe-se a importância de sermos pais, criadores, educadores; é de facto relevante, (não propriamente pais biológicos…às vezes bem longe disso…) não só porque somos responsáveis por aquele pequeno ser que sem nós não é autónomo e não sobrevive, como também, somos responsáveis pelas pessoas que colocamos no mundo, somos responsáveis por criar aquele ser da melhor forma possível, passar-lhe a melhor educação e valores porque ele será o adulto que ficará neste mundo e o mundo já está suficientemente cheio de pessoas amargas, ruins e maldosas.

 

Pais deste mundo, vamos torná-lo num lugar melhor?!