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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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Quarto-escuro

Tri, 13.05.21

Vocês lembram-se? Digam-me que sim, que não fui só eu.

Estava este fim-de-semana a conversar com o meu sobrinho sobre a interação que tem com os seus amigos, o tipo de brincadeiras que fazem hoje em dia (inexistentes diga-se), constatando que o normal para ele é “estar com o pessoal” à distância.

E não, não por causa do covid. E sim porque se habituaram a falar por mensagens, a conversarem através de microfones quando estão todos a jogar um qualquer jogo on-line e quando estão efetivamente juntos não têm o à-vontade para falarem, para desabafarem, para dizerem o mesmo que escreveram na mensagem do dia anterior.

 

Isto já era algo que me preocupava mas atualmente com tanto confinamento, temo que isto vá ser um grande dilema da nossa sociedade, a incapacidade de criar relações sociais, de lidar com o outro, de cuidar…

Bem, mas não foi isso que nos trouxe aqui hoje.

 

Vocês lembram-se dos jogos de antigamente que usámos como artimanha para nos podermos aproximar daquele colega mais engraçado a quem queríamos roubar uma beijoca? (não estou nisto sozinha de certeza, não me julguem)

Havia o “bate o pé”, bem atrevidote onde podíamos fazer a ação que nos tinha calhado ou bater o pé e recusarmo-nos e o “quarto-escuro”. Mas quem é que inventou estas coisas? (pergunto-me eu hoje a sorrir perante algumas memórias) O “quarto-escuro” era um jogo às escuras, onde o objetivo era tentar encontrar alguém e identificar às apalpadelas (leram bem: às apalpadelas … mas com respeito atenção!) e quando um casalinho se encontrava aproveitava para roubar uns beijitos.

Tudo bastante inofensivo, diria eu, e algo inerente à curiosidade da idade e da descoberta dos próprios corpos e dos outros.

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E dizem vocês, “mas e lembras-te disso agora porquê?” (pareceu-me que vos ouvi perguntar)

 

Pois que acho que estes adolescentes (e pré-adolescentes) já nem desses jogos precisam de tão explícitos que são. São um contrassenso, na verdade, por um lado contidos nas palavras, não criam relações, não fazem amigos verdadeiros (daqueles com quem vão poder contar mesmo e não daqueles que só estão prontos para a festa ou para parecer bem nas fotos), não se dão a conhecer verdadeiramente com receio das represálias, do escárnio ou rebaixamento, no entanto, conseguem ser demasiado físicos. E por físicos entenda-se, andarem quase nus na rua (não deixam grande espaço para a imaginação não) e serem demasiado sexuais em plena via pública.

Moro perto de escolas e as coisas que eu já assisti…ou eu sou muito púdica e não soube acompanhar a evolução dos tempos ou isto não é de todo normal, é crescerem demasiado rápido, é nem disfrutarem de ainda serem criança e pré-adolescentes. (eles não sabem, mas depois têm o resto da vida para serem sempre adultos … criança é que não!)

 

Mas é de mim, que me custa a entender isto e acho que é demasiado ou partilham da mesma opinião? Posso ser só eu que “parei num outro tempo” e considero que há tempo para tudo na vida, temos várias fases e etapas por algum motivo, portanto cada coisa a seu tempo.

a palmada pedagógica

Tri, 19.09.18

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“Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a” Johann Goethe

 

É muito comum quando uma criança reage de forma inesperada a um determinado acontecimento e os adultos utilizarem frases como: “Isso é falta de umas palmadas”, “Ah se fosse no meu tempo”, “Isso é birra, se fosse comigo…”

 

E foi exatamente isso a que assisti esta semana no supermercado; uma mãe a tentar acalmar a criança e a passar a mensagem de forma serena (ou dentro do possível) tentado fazer ver que não podia comprar aquele artigo, que não podia ir com elas para casa, e os comentários dos ‘transeuntes’ eram todos depreciativos.

 

Eu não tenho filhos, pelo que a minha visão e perspetiva são totalmente externas, o conhecimento ‘de causa’ que detenho advém dos pequenotes da família; mas, ainda assim, não me parece que a violência seja solução para nada!

 

Basta ver como vai a nossa sociedade, basta ver um qualquer telejornal para perceber a violência gratuita que o ocupa, sem consciências, sem arrependimentos…hoje em dia é tão banal como beber um copo de água.

 

Para mim a violência contra a criança é inaceitável em qualquer idade ou circunstância.

Em pequenos só se sabem expressar através do choro; quando começam a falar reclamam que estão a fazer birra, no entanto agem assim porque fisicamente não estão ainda preparados para lidar com frustrações e quando são adolescentes são rebeldes e mal criados.

 

Acho que o cerne da questão aqui é que falta diálogo, falta informação, falta autocontrole.

 

É muito fácil bater numa criança, somos maiores, mais fortes e elas vão apanhar, chorar e obedecer.

Porque aprenderam a lição ou por medo?

É este tipo de adultos que queremos formar?

 

Não é fácil realmente lidar com episódios de gritos e choros, explosões de adolescentes, ‘mau-feitio’ e ataques de fúria, mas precisamos de refletir mais sobre quem é que é o adulto na situação e quem é a pessoa mais vulnerável?

 

E perguntam vocês, “vê la se os teus pais não te deram uma palmadinha em miúda e tu cresceste bem e saudável e nada traumatizada!?!”

É verdade, levei umas duas palmadas…e lembro-me!

 

Se calhar não foi a melhor solução, mas tudo o resto foi pautado por explicações e castigos, por privação do que eu queria em troca de algo responsável que teria que fazer, e não sob violência. E aí reside a diferença!

 

Na minha humilde opinião, bater na criança ensina a criança a ser agressiva, a valorizar a lei do mais forte, a fazer prevalecer a sua palavra pelo lado físico.

E, sinceramente, nós precisamos neste mundo é de quebrar o ciclo da violência e não instruir mais seres humanos a resolverem os seus conflitos mediante o uso da força física.

 

Em nossa casa, o meu pai não batia, o meu pai é uma pessoa muito calma, ponderada, que fala sempre baixo (nem que se esteja a passar com um cliente), já a minha mãe é muito mais intempestiva e desatava a ralhar connosco sobre qualquer asneira mas, em nossa casa, quando eu a minha irmã fazíamos uma qualquer asneira, o meu pai sentava-se à mesa connosco para falarmos sobre o que houve de mal, sobre o que podemos mudar na próxima vez…não ralhava, não falava alto, não batia, sentava-se a falar connosco olhando nos olhos e com aquele timbre que me doía mais que uma palmada.

 

Assim, estou convicta de que as crianças aprendem muito mais pelo exemplo, pelo que veem e vivenciam e, deverá ser possível educar de forma positiva sem castigos, sem ameaças ou chantagens, sem palmadas.

 

Não existe educação através da violência seja ela física ou psicológica.

Educação exige paciência, dedicação, tempo, insistência e muito amor.

 

E vocês, qual a vossa opinião sobre a palmada pedagógica?

 

 

 

 

seremos mesmo o espelho dos nossos pais?

Tri, 04.09.17

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Dizem-nos durante toda uma vida “é a cara chapada da mãe.”, “Ai que feitiozinho, sai mesmo ao pai”, “tal pai, tal filho”, e será que somos mesmo assim tão iguais?

Será que os nossos feitios e personalidade são ditados pelos nossos pais e respetivos feitios? Será que não desenvolvemos a nossa própria personalidade ao longo da vida á medida que vamos crescendo? Será que somos assim tão iguais?

E a resposta é sim, eu creio que sim!

 

Eu vejo por tantos casos que me são próximos, amigos e família, como os pequenos absorvem tudo que nem esponjas.

Assisto ao crescimento de algumas crianças pensando ‘que orgulho, que esperta e inteligente ela está a ficar’ refletindo que os exemplos daqueles pais são de facto positivos, as regras que lhe são impostas fazem todo o sentido, as atividades culturais que partilham com a criança são muito benéficas e, dessa forma, creio que estão a fazer um bom trabalho.

 

No entanto, vejo outros em que penso ‘ai no que ele se está a tornar’ e, de facto, é mesmo isso com pais com uma índole um tanto ao quanto duvidosa, amargos e insurretos, as crianças repetem os seus hábitos, educação (ou falta dela) e as tendências que as envolvem.

Assim, a criança torna-se pouco simpática, social e até autónoma nas funções básicas da vida, mas de facto a culpa não é da criança, mas sim da sua envolvente, mas sim dos exemplos (ou não) que lhe são passados.

 

A criança é totalmente condicionada e influenciada pelo seu meio ambiente, pelos exemplos dos pais, as conversas que os mesmos têm, os hábitos do dia-dia, são determinantes para o desenvolvimento da criança.

 

Todos temos a consciência de que viemos ao mundo fruto da união entre duas pessoas (com mais ou menos amor, não está em causa), e das quais herdamos geneticamente características que nos distinguem a cada um de nós de forma particular. Muitas destas características revelam aquilo que nós somos como pessoas, embora não totalmente, pois há coisas que o meio social nos transmite quase sem nos apercebermos.

 

Assim percebe-se a importância de sermos pais, criadores, educadores; é de facto relevante, (não propriamente pais biológicos…às vezes bem longe disso…) não só porque somos responsáveis por aquele pequeno ser que sem nós não é autónomo e não sobrevive, como também, somos responsáveis pelas pessoas que colocamos no mundo, somos responsáveis por criar aquele ser da melhor forma possível, passar-lhe a melhor educação e valores porque ele será o adulto que ficará neste mundo e o mundo já está suficientemente cheio de pessoas amargas, ruins e maldosas.

 

Pais deste mundo, vamos torná-lo num lugar melhor?!