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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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precisamos mesmo de tanto?

Tri, 05.09.25

Já não é novidade para ninguém que vivemos numa sociedade capitalista onde comprar se tornou tão automático como respirar.

Um simples clique e, em poucos dias, temos um novo objeto a chegar à nossa porta, ou seja, estamos rodeados de tentações constantemente. Mas será que precisamos mesmo de tanto?

Segundo uma reportagem recente da SIC, que me chocou um pouco, apesar de todos conhecermos esta realidade acho que não temos real noção do seu impacto, ficámos a saber que todos os dias entram na União Europeia cerca de 12 milhões de encomendas digitais, em grande parte vindas da China. Muitos destes produtos, por custarem menos de 150€, não pagam taxas alfandegárias nem IVA, ou seja, são baratos, acessíveis e fáceis de adquirir.

Não obstante, escondem problemas sérios: concorrência desleal, degradação ambiental e, sobretudo, riscos para a saúde.

Porque a verdade é só uma, grande parte destes artigos não passa pelo mesmo controlo de qualidade a que os produtos europeus estão sujeitos. Há roupas com tintas tóxicas, brinquedos com materiais cancerígenos, cosméticos cheios de químicos perigosos e nós parecemos cordeirinhos que perdemos o nosso discernimento e compramos, simplesmente porque é barato, esquecendo-nos de que o barato, muitas vezes, sai caro…para a nossa saúde, para o mundo, para o futuro dos nossos filhos…

A publicidade, esse motor invisível do desejo, cria necessidades constantes que não existiam e leva-nos a comprar desenfreadamente. Quantos de nós não pesquisámos já um determinado artigo que queríamos mas descobrimos mais meia dúzia, que até são baratos, que servem para auxiliar problemas que nem sabíamos existir no mundo…

Mas nunca pára, pois mal satisfazemos um desejo, aparece logo o próximo modelo, a nova tendência, uma nova sugestão, um ciclo infinito cheio de pontos, selos e prémios que quanto mais compro mais ganho…mas ganho o quê afinal?

Então, e o que podemos nós fazer para mudar?

  • Questionar antes de comprar: Preciso mesmo disto ou é só impulso?

 

  • Desinstalar as app’s de compras do telemóvel: se não tivermos acesso rápido e imediato temos menor tendência a comprar

 

  • Escolher qualidade em vez de quantidade: Menos coisas mas mais seguras, duradouras e com impacto positivo. Se calhar não trago “o saco cheio” e compro só os artigos que realmente precisava numa empresa portuguesa

 

  • Dar prioridade a experiências: Um jantar, uma caminhada, um livro, uma viagem curta podem trazer muito mais bem-estar do que mais um objeto que ficará esquecido no fundo da gaveta da tralha. Cada vez que fores fazer uma compra dessas pensa se não preferias gastar esse dinheiro com o teu namorado, afilhada, filhos, etc.

 

  • Educar as crianças para o consumo consciente: Mostrar-lhes que brincar, criar e partilhar são formas de felicidade mais ricas do que abrir um embrulho novo.

Nenhum de nós nasceu consumista, pelo contrário fomos aprendendo esse comportamento que é incentivado a toda a nossa volta. Mas temos o livre-arbítrio precisamente para podermos escolher outra forma de estar no mundo, uma forma mais equilibrada, mais consciente e mais saudável.

No final, a pergunta que fica é simples e inevitável: queremos viver para comprar ou comprar para viver melhor?

Por isso, deixo-te o desafio: da próxima vez que sentires aquele impulso de ires às compras, respira fundo e pergunta-te se precisas mesmo daquilo.

Se parares antes do clique, talvez descubras que o que procuras não cabe numa caixa de cartão…talvez seja apenas mais tempo, paz, talvez seja só um abraço ou sentires-te mais bonita. Não se pede nada de megalómano, são trocas pequenas: troca um objeto por um momento.

E são estas escolhas simples que podem mudar, de verdade, a forma como vivemos; que podem impactar o mundo porque se todos mudarmos um pouco acaba por ter um impacto gigante.

Para os mais interessados, podem ver a Grande Reportagem da SIC aqui

uma segunda vida

Tri, 16.03.22

Em minha casa nunca houve desperdícios, a minha mãe então guardava sempre tudo, desde comida a “tralhas”.

Refilávamos sempre com ela por encher a arrecadação com “tralhas”, mas o certo é que todos lá íamos. Se eu, ou a minha irmã, tínhamos um qualquer trabalho da escola para fazer, lá íamos buscar materiais para reutilizar; peças de roupa para colocar uns apliques e dar uma nova vida; encontrar um casaco vintage que tinha sido dos seus tempos de juventude, etc.

E assim cresci a aprender a não deitar as coisas fora indiscriminadamente, a doar o que está bom, a guardar o que não está mas que pode ser reabilitado.

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Sou cada vez menos adepta de tralhas, mas continuo sem desperdiçar, guardo algumas coisas que creio que possam ser úteis, dou a maior parte delas e outras tantas vendo em 2ª mão nos diversos sites que hoje existem para esse efeito.

E é disso mesmo que vos quero falar, de darmos uma nova vida às coisas que nos foram úteis durante um tempo e que podem ganhar uma nova vida e serem proveitosas a outras pessoas. Sou muito apologista de vender e comprar em segunda mão, não só porque, coisas que já não utilizamos tanto, podem-se tornar uma ajuda para o mealheiro das férias; como são uma excelente opção ambiental e de redução do consumismo desenfreado em que vivemos.

Nestas minhas andanças, descobri um novo site (novo para mim pelo menos, vá) de compra e venda, exclusivamente, de livros usados. É uma pérola, encontram-se por lá algumas relíquias mas também imensos livros muito recentes que já foram lidos por alguém (e querem continuar a ser lidos) a preços simpáticos.

Também tem a opção de colocarmos um determinado livro em ‘procura’, algum exemplar que ainda não encontrámos por essas livrarias fora, para que quem o tenha saiba que encontra ali um potencial comprador.

Livros, é algo em que eu gasto o meu dinheiro regularmente, prefiro deixar de ir jantar fora para poder comprar livros, por exemplo, portanto este site passou a ser o meu 'novo melhor amigo'. Deixo aqui o link caso vos seja útil também: https://tradestories.pt/

E vocês que outros sites de vendas em segunda mão conhecem e usam? (não vale dizer o OLX, que já todos usamos, vá

Rainbow Friday

Tri, 20.11.20

Aparentemente as Black Friday já não são apenas pretas e, muito menos, apenas só às sextas-feiras.

Como assim apresentam-nos ‘Black Friday’ a semana inteira? Ou ‘durante este mês, não perca’?

Já nos encontrávamos mergulhados num consumismo exacerbado mas, de facto, com este tipo de incentivos é mesmo para não dar tempo às pessoas de refletirem, questionarem, ponderarem….não! é para comprar, é por impulso e é já antes que esgote!

Não percebo! 

Nada contra quem quer aproveitar as promoções, até porque temos vindo a ser manipulados para isso mesmo, mas convém vermos se estamos a aproveitar uma qualquer promoção ou só a ser enganados. (eu quando tenho que comprar, também prefiro comprar barato)

A Black Friday surgiu nos EUA (como não podia deixar de ser, não é?), com o intuito de fomentar as vendas após o feriado de ‘Ação de Graças’, que é muito simbólico e impactante no país, com uma iniciativa de 24h de promoções. Ficou assim a data marcada por uma enorme procura de produtos em promoção, aumentando exponencialmente as vendas. Desta forma, o fenómeno foi rapidamente adotado por vários países do Mundo, incluindo o nosso.

Mas a ideia é um dia de promoções, que podem ser mais ou menos aliciantes, mas não um mês inteiro a incentivar o consumo e a danar os orçamentos familiares.

A Black Friday, que oficialmente decorre à sexta-feira, já não é só à sexta-feira. Agora, é quando uma marca quiser.

É que nem o nome mudam, chamam ‘Black Friday’ a uma semana inteira de promoções...

Não percebo!

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