Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

eu não preciso de ninguém

Tri, 09.08.21

- “Como assim não precisas de ninguém?”

- “Não preciso. Estou bem sozinho. Estou bem comigo mesmo e não preciso de ninguém.”

- “Sim, mas todos nós precisamos de pessoas, precisamos dos nossos momentos a sós mas também precisamos de estar com pessoas senão piramos…basta veres como foi com uma pandemia p'lo caminho.”

E foi esta a premissa base do café que tive com um amigo há uns dias, que acha que é bom sabermos amar-nos e aprendermos a estarmos a sós, a estarmos bem apenas connosco e então, assim, aprendemos a não precisar dos outros.

Mas até que ponto isto é saudável?

Eu não quero não precisar de pessoas. Eu quero ter as minhas pessoas há minha volta, eu quero ser capaz de sentir saudades e tal só me acontece quando há envolvência e comprometimento efetivo.  

É certo que sempre gostei de me “armar em forte” mas sei que sou muito ligada há minha família e que faço por manter os amigos por perto (ainda que à distância, que hoje em dia se encurta com tanta tecnologia).

Também facilmente me ouviriam dizer ‘Estou bem comigo mesma’, e era verdade, mas tal não significava que não queria pessoas. Gosto muito dos meus momentos de solitude e faço por conseguir tê-los, tal como prezo os momentos de partilha. (principalmente à mesa, tuga que é tuga, partilha à mesa não é?!)

Na minha inocência acho sempre que é nos momentos de partilha que reside a riqueza, que se soubermos estar atentos, aprendemos sempre alguma coisa (não falemos de trabalhos manuais vá, mas de valores e atitudes, vocês percebem-me).

No fundo acho até que algumas pessoas passam pela nossa vida exclusivamente para nos ensinarem a não ser como elas, o que já é um grande feito, e se conseguirmos aprender isso já é uma grande lição.

Mas não podemos achar como o J. que estamos tão bem connosco que nem precisamos de pessoas; nós somos seres sociáveis, claramente que precisamos de pessoas.

vamos ver os carros a passar?

Tri, 15.05.21

Digam de vossa justiça, todos vocês eram (e como dizia a minha avó) “boa boca” em pequenos?

Na minha família creio que temos um caso crónico de “esquisitice”.

O meu pai por exemplo, um senhor alto e muito bem-apessoado, come de tudo e é o Masterchef lá de casa, improvisa e cozinha maravilhosamente bem (tivesse ele mais tempo … ai ai, delicia) ninguém diria que era um autêntico ‘finguelinhas’ em criança. (para sinónimos, consultar o dicionário do Norte)

Reza a lenda, que a minha avó lhe preparava os lanches para levar para a escola e ele, como não queria comer, chegava ao fundo das escadas e colocava o pão com manteiga direto da caixa do correio. A minha avó dava por ela ao final do dia ou, por vezes, só no dia seguinte. Claro que ‘havia molho’ de seguida, até porque não havia fartura pelo que desperdiçar o que quer que fosse era, para a minha avó, um flagelo.

 

Já eu era esquisita e continuo a sê-lo. De tal forma, que a minha avó tinha que me distrair para me conseguir pôr alguma coisa à boca, por isso íamos para a janela ver os carros a passar, escolhíamos uma cor e sempre que algum carro dessa cor passasse ela dava-me uma colher de comida. Escusado será dizer que passávamos horas na janela. E íamos mudando de cor para o jogo render. E quando comecei a conhecer letras, fizemos um upgrade ao jogo para identificar determinada letra nas matrículas que passavam. (facilitava a sua tarefa o facto de morar perto da estação de comboios de Coimbra e haver algum movimento naquela zona)

cars.jpg

Não tenho muitas memórias de infância da minha avó, mas tenho essa imagem muito gravada em mim, lembro-me perfeitamente de estar no banquinho de madeira, que ela tinha sempre ao lado da janela, a ver os carros a passar e a ‘tentar’ ingerir comida.

E mais tarde, quando entrei na primária, e como já sabia o abecedário e algumas palavras, ela deixava-me ajudá-la a fazer as sopas de letras. Ai, o que eu adorava as sopas de letras!

Via a palavra, mesmo sem saber o que significava, e procurava igual naquele emaranhado de letras. Tornei-me muito rápida, ao longo dos anos, uma “profissional da sopa” como dizia a minha avó a rir.

 

Na sua simplicidade, e paciência mais ou menos controlada, ela cuidava de mim e ia estimulando os meus conhecimentos. Hoje andei de metro, já não o fazia há anos, e dei por mim a contar os carros vermelhos que passavam … memórias…não somos todos nós feitos delas?

perdas

Tri, 12.04.21

Há alguns dias, infelizmente, tive o velório do pai de um amigo. (não fui literalmente, dado o limite de pessoas permitido, apenas passei na porta para lhe dar algum apoio)

De uma forma geral, tento sempre esquivar-me a estesmomentos, não é por não estar lá que não penso na pessoa, que não sinto a sua falta ou que não estou de alma e coração com quem sente aquela perda.

 

A perda é uma coisa que mexe muito comigo, algo que ainda não aprendi de todo a lidar, apesar de a minha consciência saber perfeitamente que os clichés são verdadeiros e que é algo que “faz parte da vida” e que é “inevitável”. Mas a perda de um pai é, provavelmente, das coisas que mais me comove e me deixa o estômago reduzido a nada.

 

Desde pequena que ficar sem o meu pai ou a minha mãe é a ideia que mais me atemoriza. Ainda hoje, adulta feita, tenho algum trauma com isso (nunca perdi nenhum deles, entenda-se) de tal forma que chego a ter sonhos (pesadelos!) diversas vezes com essas perdas como se fosse mesmo muito real.

 

Os meus pais são uns autênticos guerreiros e excelentes pessoas, sempre prontos a estender a mão ao próximo; ajudam sempre sempre toda a gente, mesmo que ninguém retribua quando eles precisam numa qualquer fase menos boa da vida.

 

A vida pregou-lhes algumas rasteiras, mas foram-se sempre erguendo como podiam. São um orgulho e creio que não sabem que o são e o quanto os adoro.

 

Em minha casa nunca se falou muito de sentimentos e, apesar de o amor sempre ter existido, às vezes essa é uma barreira um bocadinho difícil de transpor: falar de amor, dizer alto o quanto gostamos uns dos outros. (não é por isso que não fizeram de mim uma mimada. Ups!)

Mas mesmo não dizendo, nós sabemos, nós sentimos, porque estamos sempre lá, porque nos apoiamos, porque tanto estamos juntos para ir relaxar numa ida ao teatro como estamos juntos para dar força nos momentos menos bons.

 

A minha família são os meus pais! Tenho tios e primos, mas a minha família são os meus pais, simplesmente. Eles nunca me faltam, eles é que estão sempre lá para mim.

 

E por isso não me consigo imaginar sem  eles, sem o cuidado, sem o amor, sem a proteção.

Queria guardá-los em qualquer lugar onde nada os afetasse, mas sei que só os posso guardar no meu coração e tentar sempre cuidar deles e protegê-los o melhor que me for possível.

 

Inevitavelmente, um dia vai acontecer, mas bem vamos esperar até que sejam bem velhinhos e rabugentos, sim? (sim a minha mãe vai ser uma velhinha faladora e refilona!)

Até lá, é aprender a lidar com as perdas desta vida.

o Amor

Tri, 17.10.18

 love.jpeg

É o amor que nos rege nesta vida (ou deveria ser).

E não necessariamente amor de romance. Podemos, e devemos, ser preenchidos pelo amor entre amigos, família, pelos animais, pelo trabalho, lugares, coisas e momentos.

 

Devia mesmo ser a palavra de ordem do nosso dia-a-dia, mas não sei porquê nem sempre é assim tão simples.

Mas, na verdade, até pessoas que não te conhecem te podem dar algum tipo de amor, em forma de pequenos gestos, de atenção, de carinhos…vemos isso recorrentemente no nosso voluntariado diário.

 

E que bem que sabe!

 

Sem nos darmos conta, o Amor está presente em todos os minutos das nossas vidas. Quando lhe damos mais relevância as coisas tornam-se mais claras e reconhecemos efetivamente esse amor. Ainda assim, mesmo sem nos apercebermos o amor vai marcando a nossa vida.


E isso deveria ser regra obrigatória na vida de todas as pessoas!

 

O Amor é aquele sentimento bom, cheio de luz, que nos preenche, que nos faz sentir plenos. O Amor é muita coisa e demonstra-se das mais diversas formas.

 

Amor é quando uma simples recordação te deixa com um sorriso na cara; é quando te sentes repleto de um sentimento que parece que transborda e que não consegues conter.

 

O amor verdadeiro é aquele que nunca é abalado, que resiste a qualquer adversidade da vida, por muitas dificuldades, discussões, chatices ou momentos menos bons, tudo é ultrapassável porque esse amor é forte o suficiente para que tudo passe e as pessoas se unam.

 

É também, provavelmente, a palavra mais difícil que existe porque é aquela que toda a gente sabe o que quer dizer, mas todos temos dificuldade em explicar.

 

Amor é querer pertencer ao outro, não por submissão ou posse, mas por entrega; é aquele que nos faz esquecer tudo só por estar na presença de Alguém que nos é especial.

 

Amor é pensar que sem esse alguém o teu mundo parece que vai desabar e que não sabes como será a tua vida sem esse Alguém.

 

O Amor é um sentimento tão forte que é difícil de explicar, creio que por muitas palavras que se usem parece que nada é suficiente para expressão o sentimento em si; as palavras em si não chegam, é muito mais que isso, não cabe em nenhuma palavra.

Por isso o amor deve ser demonstrado, os pequenos atos repletos de amor, não apenas dizer um ‘Amo-te’ sentido.

 

O Amor motiva a necessidade de proteção e pode-se manifestar de diferentes formas entre os seres humanos, pois falamos de amor para com os nossos pais, com a nossa ‘cara-metade’, com a nossa família, etc.

 

Amor é saber ouvir, é abraçar nos momentos difíceis, é limpar as lágrimas depois de as deixar correr. É apoiar os sonhos do outro como se fossem nossos.

 

Amor é partilhar sonhos e conquistas conjuntas, é partilhar a última fatia do bolo, é dar incomensuravelmente.

 

Amor é tudo o que há de bom para se viver.

o amor

Tri, 21.11.17

images.jpg

O Amor é algo curioso. É-nos natural, mas precisamos que nos expliquem como. Apanha-te sem estares à espera. Chega devagar para te provar que reside nas pequenas coisas, nos pormenores. O amor é muito como aprender a andar. Precisamos de confiar na pessoa, agarrar a mão e dar um passo em conjunto. Precisamos de ter coragem para pôr um pé à frente do outro. O Amor observa-te, sem desviar o olhar, para que percebas que chegou, chegou para ficar e que já não há volta a dar. O Amor simples, doce, alegre para celebrares a vida com quem te rodeia, com a pessoa que amas.

o amor não podia ser simples?

Tri, 17.07.17

O amor é muito como aprender a falar, a andar ou a comer. É algo que nos é natural mas tem que ser induzido, tem que ser explicado para que nos habituemos. Precisamos de confiar na pessoa que nos estende a mão e que nos garante paz. Que nos diz que estará sempre ali, com a sua mão na nossa. Precisamos de coragem para acreditar e arriscar, mesmo sem saber para onde vamos; amor é arriscar e ir.

 

Mas porque é que o amor vem sempre acompanhado de sofrimento, de angústia? Porque é que são sentimentos tão opostos mas que andam de mãos dadas? Porque não pode simplesmente ser simples, bonito, ardente, carinhoso.

 

Quando amamos, desejamos muito alguém, o seu bem-estar e a sua felicidade e envolvemo-nos de tal forma que sentimos todas essas conquistas como nossas e todas as falhas e derrotas, de tal forma que dói muito e aperta o coração como se se tratasse das nossas próprias derrotas. Amar é sofrer em conjunto, amar é ter o coração sempre pequenino porque nos preocupamos com a felicidade de alguém tanto, ou mais, do que a nossa própria.

Amar é desejar sempre, e muito, e quando não temos sentimos aquele ‘baque’ no coração que aperta e que dói, dói muito.

 

Não pode o amor ser simplesmente bonito e caloroso? Não pode o amor largar a mão do sofrimento?

Eu agradecia …

amor_.jpg

amar pelos dois

Tri, 10.07.17

amor.jpg

Amar pelos dois é o mote da canção vencedora do Festival da Eurovisão, não estando aqui em causa a referida canção, que pessoalmente acho belíssima, creio que amar pelos dois é um fardo muito pesado de suportar.

 

Ninguém tem de lutar pelos dois, ninguém deveria ter de lutar pelos dois em nenhuma relação…Acho que sendo assim, claramente, falha o conceito base de uma relação cuja premissa base é a do compromisso, do respeito e comprometimento mútuo de duas pessoas que têm o mesmo objetivo em comum. Se uma das pessoas deixa de partilhar esse objetivo, então o desfecho começa a traçar-se como fatal, ainda que possa ter um retrocesso.

 

O que não pode nunca ter, ou não deveria ter, é alguém que desistiu de lutar e um outro alguém que se auto propõe a lutar pelos dois.

 

Uma relação não é por defeito desenhada com base na perfeição, não é sonhada e depois tudo acontece; uma relação deve ser construída, reforçada constantemente, tudo deve ser esclarecido e clarificado sempre que necessário.

 

O Amor, apesar de crucial, de facto sozinho não chega … É necessário a entrega constante, a partilha, o reorganizar de prioridades e tornar “o outro” também uma delas.  E se amar, de facto, não chega, amar pelos dois não trará certamente futuro; se o outro perdeu o entusiamo, se não partilha dos mesmos objetivos de vida, se não quer atingir as mesmas metas e o seu amor se desvaneceu, então de nada adianta o esforço de tentar amar pelos dois e remar a bom porto.

 

Eu acredito plenamente em relações felizes; mais acredito no ‘felizes para sempre’ porque presencio muitas dessas relações e é lindo de ver um casamento de 30, 40 ou 60 anos com o carinho da adolescência ainda presente.

Eu acredito no amor e em tudo o que alimenta o amor e que deve comandar a nossa vida diariamente.

Acredito que há amores para a vida “até que a morte os separe”.

 

Mas também acredito que o “para sempre” é demasiado tempo e demasiado relativo, e que há amores que só são eternos enquanto durarem. E há que aprender a viver com isso e perceber que da mesma forma que há amores eternos, também os há com data de início e de fim, e que isso não tem que ser propriamente mau, apenas temos que entender e aceitar que juntos não são felizes e que deve, cada um, procurar a sua felicidade.

ser feliz

Tri, 06.06.17

“O ser humano nasceu para ser feliz” é uma das afirmações que mais se ouve e uma das premissas mais consensuais do nosso tempo. Atualmente, a discussão sobre este assunto passa muito pela reflexão do que é ser feliz, sendo que cada indivíduo terá a sua resposta muito pessoal a esta questão, pois a felicidade, num certo ponto de vista, é pessoal e intransmissível. Por outro lado, há uma ideia quase que pré-concebida de felicidade, que faz parte do senso comum, onde todos os indivíduos consideram que ter felicidade é ter saúde, amor, família, dinheiro suficiente, etc.

 

Evidentemente que a ideia de felicidade não é um conceito recente, já se discute à muitos anos, e mais do que isso, existe uma preocupação constante e inquietante: ser feliz é um desejo do ser humano ou um direito?!

 

Só o Amor faz dos seres humanos seres pessoais, capazes de se entenderem, de se tolerarem, de se respeitarem, de constituírem compaixão, justiça e perdão. Desta forma, quem não ama não consegue, não pode, ser feliz, por mais que tenha, por mais que seja. Quem não ama vive mal o seu presente e não é capaz do futuro.

 

Aristóteles descortinou a felicidade como “a atividade de alma dirigida pela virtude”, ou seja, pelo exercício da virtude, e não da simples posse. Só na liberdade é possível encontrar a felicidade.

 

A felicidade da liberdade consiste em levar o amor até ao esquecimento de si, na decisão livre e convicta de pôr a felicidade do outro antes da nossa própria. Assim, a felicidade é construída como um projeto com objetivos vitais de base como a solidariedade, a afetividade, a compaixão, o trabalho, a abertura, a cultura…

 

A felicidade é assim, apenas um direito do desejo de ser alguém, de ser para alguém.

coisas boas

Tri, 29.03.17

 borboleta.jpg

As coisas boas existem e acontecem em todo o mundo, a toda a hora, mas vivemos tão assoberbados com todo o mal e egoísmo que nos rodeiam que nem paramos para nos apercebermos e refletirmos sobre os momentos de alegria.

 

 

A todo o momento podemos parar a azáfama do nosso dia para nos apercebermos, focarmos e apreciarmos o que de bom temos em nosso redor; a beleza natural da paisagem que nos rodeia, as crianças inocentes e felizes a brincarem no baloiço; as iniciativas de solidariedade gratidão e amor que todos os dias acontecem; os nossos entes queridos que podem não o exprimir mas estão sempre junto de nós.

 

 baloiço.png

 

Devemos tentar levar a nossa vida trilhando o caminho do amor, tentando ressaltar o que de bom a vida tem, o bem que nos rodeia, o que é bonito, o que é bom, as pessoas que estão sempre connosco. E depois, guardar todos esses momentos preciosos dentro de nós e recordar, partilha, sorrir e rir de todos eles.

 

Experimente … parar, refletir e apreciar a vida como um todo, vai ver que não custa nada e vai ficar muito mais alegre e de coração cheio.