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recrutar pessoas ou rotular?

Tri, 11.03.21

Dado o facto de trabalhar numa empresa pequena, todos acabamos por ser polivalentes, acumular funções. E eu não sou exceção.

O crescimento da empresa nos últimos anos, as minhas aptidões para certas funções e todas as circunstâncias acabaram por me empurrar para o recrutamento.

Sou responsável pelo recrutamento na minha empresa e é algo que detesto. (pronto, já deitei cá para fora)

É uma função extremamente frustrante porque me obriga a ir contra uma série de princípios meus; o processo de recrutamento implica que se avaliem e rotulem pessoas com base em meia dúzia de informações. Nós somos muito mais do que aquilo que se escreve num papel ou que demonstramos numa hora de um dia de nervos.

Eu sei que tem que existir alguma forma para selecionar pessoas; que têm que ser excluídas ou selecionadas com base nalgumas informações, é inevitável, pois quem está a fazer a entrevista e a pressupor coisas sobre aquela pessoa tem também que ter algumas bases … tudo bem. Só não é uma função para mim mas sim para as pessoas que estudaram recursos humanos, por exemplo. (por isso é que escolheram essa área deduzo)

Mas o facto de estar nesta função faz-me conhecer o mercado (entenda-se: oferta) de uma outra maneira (pelo menos o do nosso setor) e ainda fico chocada como em pleno século XXI, com tantas formações que existem, com tantos modelos base de CV que se podem encontrar na net ainda se enviam currículos que metem medo. Eu recebo currículos em formato editável ‘word’ (mas porquê, é para eu preencher os espaços em branco?!), alguns cheios de erros de português, alguns com fotos menos próprias para colocar num CV (quer dizer, pelo menos para a função que eu procuro), coisas que não fazem sentido acontecer nos dias de hoje em que há tanta informação disponível.

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Mas voltando ao cerne da questão, esta função desgasta-me e deixa-me profundamente desmotivada. Claro que não é a minha função principal, não andamos todas as semanas a recrutar pessoas, mas infelizmente nos últimos 2 anos temos tido muitos processos de recrutamento, quer seja para aumentar a equipa quer seja para colmatar alguma vaga de alguém que saiu. E, como acho que já deu para perceber, eu não sou de recursos humanos, posso ter estudado um pouco na faculdade e talvez ter algum perfil para a função, mas não gosto de recrutar pessoas…nem sempre o nosso caminho nos encaminha para os sítios corretos, não é?

O processo de recrutamento é, à partida, injusto para ambas as partes. É ter que assumir certas coisas sobre aquela pessoa que, no dia da entrevista, até podia estar num dia menos bom; é ter que saber interpretar o ser humano, pois há sempre pessoas que se sabem vender muito bem, mas que no fundo é tudo muito oco (é como alguns comerciais que recebo na empresa, são capazes de me vender a minha própria mãe), é ter que dar um ‘não’ sem grande causa plausível ou um ‘sim’ duvidoso (é sempre com o beneficio da dúvida).

Mas quem recruta tem que ter um ponto de partida é certo, sendo essa base o currículo que se recebe. Mas de facto gabo a coragem dos colaboradores das empresas de recrutamento que têm que fazer isto todos os dias.

Eu tenho que fazer, por vezes apenas, e sinto-me agastada com isso. Já vivemos tempos que nos cansam mais, por tudo e mais alguma coisa, junto a isto o facto de ter que fazer alguma função contrariada e dá explosão … isto não anda fácil.

E o que é que nós podemos fazer quanto a isso? (estão vocês a perguntar que eu sei)

Pois nada, e a situação vai continuar, eu apenas tenho que aprender a adaptar-me e de qualquer forma apeteceu-me ‘deitar cá para fora’. ;)

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