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desperdício têxtil e o armário-cápsula

Tri, 29.04.21

Não é apenas no lixo e desperdício alimentar que devíamos ter o nosso foco, as roupas que usamos e que rapidamente substituímos por novas também podem, e devem, ter uma nova vida.

O consumismo anda de mãos dadas com o desperdício e isso afeta tanto como o lixo que não separamos, a comida que desperdiçamos e tudo o resto que poderia ter uma segunda ou terceira reutilização. 

No caso do desperdício têxtil os números são aberrantes, em Portugal deita-se para o lixo cerca de 200 toneladas de resíduos têxteis por ano, segundo dados da APA – Agência Portuguesa para o Ambiente.

Felizmente já há projetos e empresas super interessantes para fazer face ao desperdício no planeta. Deixo alguns que conheço e acho muito positivos, para que possam explorar e conhecer também:

Salvar comida: Too Good To Go

Reutilização têxtil: Ultriplo

Reciclagem têxtilSasia

Foi essa consciência que me fez pesquisar e perceber melhor um conceito que muito ouvia, o de ‘armário-cápsula’. O armário-cápsula pretende demonstrar que com um número limitado de peças no nosso roupeiro conseguimos vestir-nos todos os dias de forma diferente e muito mais facil e rapidamente, pois a escolha é menor.

desperdício-de-matéria-têxtil-um-poluidor-princ

No fundo este conceito concentra em si muitas ideias, a simplicidade da vida, conseguimos vestir-nos mais rapidamente pois temos todas as peças expostas e a escolha é menor, logo é menos um tópico para nos encher a cabeça; temos tudo mais organizado pois não acumulamos roupa que só usamos de ano a ano; redução de consumo, pois a lógica é investir em boas peças de roupa, com qualidade, que possam durar muitos anos, e não em peças baratas que em menos de 2 anos apresentam desgaste e são substituídas; a ideia é investir na longevidade ao invés da rotatividade, logo menos desperdício têxtil.

 Ter o nosso armário mais reduzido não é só pensar no próprio bolso ou na organização da nossa vida, é pensar no consumismo e no seu impacto no ambiente: mais consumismo obriga a mais produção, que leva a mais falsificação de materiais e, consequentemente, os materiais deixam de ser duráveis, deixam de ter qualidade, utilizam também mais recursos como a água e outros necessários para a confeção da roupa.

Acima de tudo, a ideia é ter um armário consenciente: consciente do impacto que ele pode ter na nossa vida e no meio-ambiente, e não tanto um armário que seja restrito a um determinado número de peças de roupa. (o meu não tem nenhum limite mas levou uma grande volta e redução)

Ter um armário consciente é saber onde é feita a roupa e com que materiais, idealmente apostar na economia local e incentivar produtos nacionais, ainda que mais caros pois são feitos com respeito pelos seus trabalhadores e isso traz mais encargos. (eventualmente tal preocupação estende-se a tudo aquilo que consumimos e dou por mim a questionar tudo: de onde vêm estes legumes? Esta fruta tem químicos?)

Capsule_Travel_Wardrobe.png

 

Vai daí e perguntam vocês:  então mas eu vou dar 50€ por uma camisa, feita em Portugal e com bom material em vez de 15€ numa loja de fast fashion? Sim. (não há dinheiro para isso, pois então devemos pensar como um investimento e comprar apenas uma peça de roupa boa ao invés de comprar três)

Mas porquê? Porque num armário cápsula, a consciência da durabilidade dos materiais conta. Porque termos uma peça de 50€, que adoramos, que usamos muito, com uma melhor resistência e que dure anos é melhor que ter uma que custe 15€ e meses depois já se mostra desgastada, velha, rota e feia. E acima de tudo, termos uma peça de roupa feita sem exploração dos trabalhadores. O nosso salário minimio nacional pode, de facto, não ser muito elevado, mas ainda assim as nossas indústrias têxteis estão a anos-luz das condições praticadas em indústrias asiáticas, por exemplo.

Como tudo na vida, não passa de um conselho, de uma ideia...da forma como passei a olhar para aquilo que uso e onde gasto o meu dinheiro. Cada um investe e veste o que entender e que esteja de acordo com a sua consciência, sempre.

Assim, deixo algumas marcas portuguesas que possam eventualmente ter interesse. E recordar sempre os pequenos negócios locais e os artesãos deste país que fazem coisas magníficas. (algumas marcas já conheço e consumo, outras estão na minha lista para consideração quando precisar de substituir algo)

António - malas

Stró - produção têxtil sustentável

Pelcor - produtos cortiça

Unii - produtos cosmética biológica

Daniela ponto final - roupa e acessórios

Green Boots - botas

Näz - roupa

Buzina Brand - roupa feminina

Projeto Volta - meias

Benamôr- cosmética

Jinja - produtos feitos à mão a partir de desperdício têxtil

Saponina - sabonetes artesanais

Conhecem outras marcas/projetos portuguesas que utilizem e que poderiam estar nesta lista? Partilhem nos comentários para que eu possa espreitar (e podem interessar a mais alguém).

 

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