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A minha primeira viagem à Índia

Tri, 21.07.20

A minha primeira viagem à India foi mágica. (Sim leram bem, a primeira porque no que depender de mim não será a única)

Foi uma viagem muito desejada e sonhada, foi simultaneamente adiada por vários anos, pelo receio da realidade que iria encontrar e que não sabia como lidar. Até chegar a coragem e ir! (e agora não quero outra coisa)

Sim assisti a grandes choques de realidade, sim vi toneladas de lixo acumulado que nos corta o coração, sim vi vacas bem tratadas (e simultaneamente mal tratadas, na verdade) e sim fui para o sul da Índia e recomendo vivamente.

Por muita preparação prévia que tenhamos feito, é inevitável que a India não mexa connosco porque vamos estar rodeados de lixo, confusão, barulho (muita buzina) e ao mesmo tempo silêncio, vamos levar um murro no estômago mesmo que tenhamos feita muita pesquisa.

Mas assim que nos abstraímos do menos bom, somos tocados pela beleza, alegria, humildade e espiritualidade do povo indiano.

Diria mesmo que a grande magia da India é as suas pessoas, que nos dão um banho de humildade brutal, que mesmo no meio das suas dificuldades conseguem ser afáveis, conseguem até partilhar o pouco que têm. 

India não é um mero destino de férias, é uma experiência de vida impactante.

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A minha primeira viagem à India não foi uma viagem turística, ou seja, não fui fazer os roteiros turísticos habituais, não andei onde todos andam, não visitei o Taj Mahal, fui sim para o sul da India, para Kerala, que diria que ainda é uma “zona virgem”. Aparecem por lá alguns turistas mas não enchentes, nem há filas para visitar nada, o povo é do mais genuíno que existe e ainda não aderiu “à moda” de nos tentar impingir todo e qualquer artigo de forma persistente.

Já em Mumbai, uma tão grande cidade, o cenário é diferente (tanto o cenário urbano como a própria população), já todos perceberam que turistas significam dinheiro e não largam enquanto não conseguirem alguma coisa. Alguns dos habitantes já renegam as suas origens e tradições, já não vão aos templos e, alguns, até já nem comem caril (ou qualquer outro prato típico) preferem a fast food importada que por lá existe.

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Mas voltando ao Sul da India, temos que ir preparados para ver de tudo: os mercados montados no chão de terra batida (não, não há bancas) mas que conseguem ter peixe fresco e serem limpos (e, pasmem-se: não cheiram a peixe! Como alguns dos nossos), as vacas “quase” sagradas, o animal é sagrado e tratado criteriosamente, no entanto, raramente são alimentadas (no final de contas, se não têm dinheiro para alimentar a família…a vaquinha será a última na lista), as cores que nos entram pelos olhos, as especiarias nos mercados, os saris indianos maravilhosos, os curys cheirosos e, ainda mais, saborosos e o chai, que é vendido em todas as ruas. 

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O que eu visitei deste país é “uma agulha num palheiro” porque aquilo é um Mundo, mas foi tão versátil: visitei templos, experimentei muitos pratos típicos, conheci lojas locais, estive em praias paradisíacas, fiz aulas de yoga com professores mais velhos que a minha avó (mas mais novos que eu diga-se de passagem), visitei o SLUM e as suas gentes, com histórias de vida e perseverança que são uma autêntica lição, tudo sempre acompanhado pela buzina que é música de fundo de qualquer cidade.

Lá a buzina serve para alertar do perigo, serve para pedir a alguém para se desviar, serve para avisar que estamos numa dada rua, serve para informar que vamos ultrapassar, serve para cumprimentar quem vem em sentido contrário, enfim é toda uma forma de comunicação.

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Os indianos (do sul, os que eu conheci) são sorridentes, bem-humorados, adoram música, esforçam-se por falar inglês (bem arranhado), prezam os seus costumes locais e sonham alto, partilham connosco os seus sonhos. Adoram turistas, porque são uma espécie à qual não estão habituados e então querem muito conversar, saber coisas, tirar muitas fotos connosco (que somos uns pálidos. Dá um contraste lindo nas fotos). Param a sua vida, a sua correria, para apreciarem simplesmente um pôr-do-sol muito belo, para irem à tarde até um jardim meditar, para aproveitarem a vida dentro das limitações e dificuldades que têm.

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Quanto à segurança, não vou dizer que a Índia seja o destino mais seguro do mundo, por que não é, e todos sabemos disso, no entanto está longe de ser o diabo que pintam. Nunca me senti insegura (claro que fui tendo os meus cuidados e estava atenta) e a única cidade que poderia ser mais problemática, mas na qual não tive qualquer problema, é mesmo Mumbai dada a sua dimensão, à vida que tem e ao ritmo da mesma. 

Foi uma viagem muito gratificante, de autoconhecimento, do caos extremo à devoção profunda. Uma viagem que não pode ser contada apenas vivenciada.

 

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