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A arte de dizer 'não'

Tri, 22.10.20

Não quero. Não posso. Não me apetece.

Negar convites ou solicitações não tem que ser necessariamente sinónimo de má vontade ou preguiça. Pode ser, simplesmente, uma escolha consciente que fazemos para impedir a sensação de que todos “mandam” na nossa vida, nas nossas escolhas, nos nossos horários.

Começar a dizer ‘não’ sem sentimento de culpa, é libertador. (então se for antes de perdermos a cabeça, ainda melhor)

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Como todos sabemos, a forma como as sociedades estão agora desenhadas leva-nos a viver na correria; todos querem tudo ‘p’ra ontem’, todas chamadas, mensagens ou e-mail’s têm que ser respondidas na hora porque todos sabem que estamos disponíveis em qualquer canto do mundo, então já ninguém sabe esperar…já não há paciência nem tolerância.

Dizemos sim porque é mais fácil, evita os olhares desconfortáveis das outras pessoas, evita o bater da porta, a resposta com frieza na voz, evita passarmos a ouvir “também nunca se pode contar contigo”.

No trabalho dizemos sim porque temos de dizer, não é verdade? Ainda assim, por vezes poderíamos tentar sugerir outras opções ou explicar que não pode ser quando a pessoa quer mas sim mais tarde. No fundo dizemos sim por receio da incerteza da atitude da outra pessoa.

“Preciso de tempo para mim”, acaba por ser a nossa desculpa quando já não dá mais e temos mesmo que dizer um não a alguém, mas é um não com justificação.  Sentimo-nos a multiplicar por diversas tarefas, todos os dias, acompanhado de um prejuízo da vida pessoal e familiar.

Mas tal frase traz ao de cima o cerne do problema pois, de facto, não vamos arranjar mais tempo, quando muito (e aqui reside parte da solução), vamos arranjar forma de termos menos coisas para fazer.

(E como raio é que faço isso? - perguntam vocês)

 

Organizando melhor as diferentes tarefas e eventos onde querem estar presentes, delegar mais nos colegas, na família, tudo o que os outros também possam fazer (repartido custa sempre menos, não é?!), aprender a optar, pois nenhum de nós é super-herói e consegue fazer sempre tudo, por isso temos que aprender a fazer escolhas ‘escolher este evento em detrimento do outro’, ‘escolher brincar com o meu filho em vez de ir aspirar’ (depois passam só a vassoura vá), no fundo aprender a dizer ‘não’ ao que não queremos fazer naquele momento.

Assim, ao invés da passividade (dizermos sim a tudo) devemos fomentar a nossa assertividade, dizer o que pensamos e sentimos sem ferir a suscetibilidade da outra pessoa.

Começar a dizer ‘não’, sempre que possível, leva-nos a aproveitar melhor e investir o nosso tempo naquilo que realmente queremos fazer (e sim também vamos querer limpar a casa porque em ultima instância queremos uma casa limpa). Permite rentabilizar o tempo que temos connosco e o tempo que para estar com os outros, simplesmente estar (sem pensar no compromisso seguinte, entenda-se).

E como é que desaprendemos o nosso não, questiono-me eu?

É que em crianças eramos peritos, sempre que os pais nos mandavam para a cama ou acabar a sopa, saia-nos um pronto e convicto «não!». Mas a verdade é que fomos ganhando receio ao longo da vida, de ofender alguém, de sermos mal interpretados.

Dizer não aos outros, é dizer sim a nós próprios.

Eu própria tenho vindo a investir tempo no meu ‘não’, por vezes ainda hesito é certo, mas já digo muito mais vezes não e sinto-me bem com isso e fico com a sensação de que estou a fazer o que quero com o meu tempo. 

 

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