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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

mas eu quero ficar

Tri, 02.12.25

Por todo o lado se multiplica o apelo à mudança, frases motivadoras cujo o objetivo é o de provocar e incentivar.  Em todas as redes sociais somos bombardeados com chamadas à ação muito pungentes: Qual foi a última vez que fizeste algo novo? Quando é que páras e pensas em ti? Quando é que te priorizas? Começa a ser feliz, dizendo não!

Eu gosto muito de mudanças, confesso que sinto que na mudança há sempre oportunidades de melhoria, de crescimento e desenvolvimento. As mudanças não me assustam, entusiasmam-me. Seja mudar de casa, mudar a decoração, o penteado, uma nova relação, mudar de emprego… mas ultimamente tenho sentido mais o chamamento para ficar, para me manter onde estou bem, para apreciar a estabilidade.

E se já dizia o ditado “quem está mal que se mude”, então e quem está bem não fica simplesmente onde está? Temos mesmo que andar sempre a mudar, à procura de emoções novas, de novas rotinas, de desafios e relações…

Qual é o mal de fazer férias todos os anos no mesmo sítio e não conhecer uma dezena de capitais europeias? E que desdém é esse por pessoas que estão há anos no mesmo trabalho a ganhar o mesmo se tal lhes dá alegria e a estabilidade que procuram na vida? E por que raio chateia tanto que alguém só comece a ser produtivo depois de chegar ao trabalho ao invés de acordar às 5 da manhã e fazer este mundo e outro “antes de começar o dia”?

Atenção que eu concordo mesmo que mudar estimula a criatividade e ajuda a renovar objetivos de vida e, na verdade, acabamos por mudar um pouco todos os dias, quer queiramos quer não, ou não estivéssemos nós a envelhecer cada dia que passa. Não obstante, há que deixar uma palavra de empatia em prol de todas as pessoas olhadas de soslaio por estarem bem com que o têm, cuja satisfação as faz serem atropeladas pela ambição que tantos juram ser requisito essencial para o sucesso, aquelas que estão bem apesar de tudo e todos as quererem convencer da sua apatia e estagnação. 

As resoluções de ano novo não têm sempre que ser: conquistar, fazer algo novo, mudar; podem ser simplesmente manter o que tenho. 😉

reflexão #167

Tri, 09.09.25

"Deveríamos agradecer a quem amamos por nos permitir que haja alguém que amemos, não deveríamos? Só agradecemos o que recebemos quando deveríamos era agradecer termos o que dar e sobretudo a quem dar. Não quero quem me ame na sepultura."

 

by Pedro Chagas Freitas

in "A raridades das coisas banais"

precisamos mesmo de tanto?

Tri, 05.09.25

Já não é novidade para ninguém que vivemos numa sociedade capitalista onde comprar se tornou tão automático como respirar.

Um simples clique e, em poucos dias, temos um novo objeto a chegar à nossa porta, ou seja, estamos rodeados de tentações constantemente. Mas será que precisamos mesmo de tanto?

Segundo uma reportagem recente da SIC, que me chocou um pouco, apesar de todos conhecermos esta realidade acho que não temos real noção do seu impacto, ficámos a saber que todos os dias entram na União Europeia cerca de 12 milhões de encomendas digitais, em grande parte vindas da China. Muitos destes produtos, por custarem menos de 150€, não pagam taxas alfandegárias nem IVA, ou seja, são baratos, acessíveis e fáceis de adquirir.

Não obstante, escondem problemas sérios: concorrência desleal, degradação ambiental e, sobretudo, riscos para a saúde.

Porque a verdade é só uma, grande parte destes artigos não passa pelo mesmo controlo de qualidade a que os produtos europeus estão sujeitos. Há roupas com tintas tóxicas, brinquedos com materiais cancerígenos, cosméticos cheios de químicos perigosos e nós parecemos cordeirinhos que perdemos o nosso discernimento e compramos, simplesmente porque é barato, esquecendo-nos de que o barato, muitas vezes, sai caro…para a nossa saúde, para o mundo, para o futuro dos nossos filhos…

A publicidade, esse motor invisível do desejo, cria necessidades constantes que não existiam e leva-nos a comprar desenfreadamente. Quantos de nós não pesquisámos já um determinado artigo que queríamos mas descobrimos mais meia dúzia, que até são baratos, que servem para auxiliar problemas que nem sabíamos existir no mundo…

Mas nunca pára, pois mal satisfazemos um desejo, aparece logo o próximo modelo, a nova tendência, uma nova sugestão, um ciclo infinito cheio de pontos, selos e prémios que quanto mais compro mais ganho…mas ganho o quê afinal?

Então, e o que podemos nós fazer para mudar?

  • Questionar antes de comprar: Preciso mesmo disto ou é só impulso?

 

  • Desinstalar as app’s de compras do telemóvel: se não tivermos acesso rápido e imediato temos menor tendência a comprar

 

  • Escolher qualidade em vez de quantidade: Menos coisas mas mais seguras, duradouras e com impacto positivo. Se calhar não trago “o saco cheio” e compro só os artigos que realmente precisava numa empresa portuguesa

 

  • Dar prioridade a experiências: Um jantar, uma caminhada, um livro, uma viagem curta podem trazer muito mais bem-estar do que mais um objeto que ficará esquecido no fundo da gaveta da tralha. Cada vez que fores fazer uma compra dessas pensa se não preferias gastar esse dinheiro com o teu namorado, afilhada, filhos, etc.

 

  • Educar as crianças para o consumo consciente: Mostrar-lhes que brincar, criar e partilhar são formas de felicidade mais ricas do que abrir um embrulho novo.

Nenhum de nós nasceu consumista, pelo contrário fomos aprendendo esse comportamento que é incentivado a toda a nossa volta. Mas temos o livre-arbítrio precisamente para podermos escolher outra forma de estar no mundo, uma forma mais equilibrada, mais consciente e mais saudável.

No final, a pergunta que fica é simples e inevitável: queremos viver para comprar ou comprar para viver melhor?

Por isso, deixo-te o desafio: da próxima vez que sentires aquele impulso de ires às compras, respira fundo e pergunta-te se precisas mesmo daquilo.

Se parares antes do clique, talvez descubras que o que procuras não cabe numa caixa de cartão…talvez seja apenas mais tempo, paz, talvez seja só um abraço ou sentires-te mais bonita. Não se pede nada de megalómano, são trocas pequenas: troca um objeto por um momento.

E são estas escolhas simples que podem mudar, de verdade, a forma como vivemos; que podem impactar o mundo porque se todos mudarmos um pouco acaba por ter um impacto gigante.

Para os mais interessados, podem ver a Grande Reportagem da SIC aqui

reflexão #166

Tri, 03.09.25

“Entrei numa livraria. Pus-me a contar os livros que há para ler e os anos que terei de vida. Não chegam! Não duro nem para metade da livraria! Deve haver certamente outras maneiras de uma pessoa se salvar, senão… estou perdido.”

 

by Almada Negreiros,

in "A Invenção do Dia Claro"

reflexão #165

Tri, 28.08.25

"O mais importante naquilo que somos quando queremos fazer alguém amar-nos, é fazer com que alguém nos ame, e não a uma qualquer personagem que criamos à pressão para sermos bem amados. Acho que não existem divórcios nem separações, sabem? Acho que o que há é descobertas. Um descobre que o outro é outra pessoa que não aquela personagem que ama e depois tem de ir para longe dessa pessoa que não conhece. Às vezes descobrem mesmo os dois que amam pessoas diferentes que pensavam ser aquelas que os dois mostravam que eram."

 

by Pedro Chagas Freitas

in "A raridades das coisas banais"

o sucesso das férias mede-se pelo tom de pele?

Tri, 25.08.25

Todas as pessoas têm um tom de pele diferente, umas a fugir mais para a cal, é certo, mas isso não invalida que gostem de sol e que passem algum tempo a desfrutar do mesmo.

Eu sou do clube da lixívia, claramente, tenho uma pele que dá para ver as veias e tal não me incomoda, até porque com os anos sinto que a minha pele vai aumentando a sua capacidade de passar de branco-cale a branco-sujo (e não, não é sarro).

Isto não deveria ser um tema, mas acontece todos os anos, quando regresso de férias há sempre a inevitável piada (já gasta, diga-se de passagem…) “parece que te escondeste do sol”, “uii, isso é da ruindade, nem o bronze pega” …

Eu estou muito confortável na minha pele e não alimento estas conversas, não me incomodam de todod, mas não consigo perceber porque é que a métrica de avaliação das férias se mede pelo pantone da tua pele?!

Tantas coisas que podes fazer e explorar durante o teu período de descanso e o relevante é mesmo o meu aspeto?! A resposta é um redondo sim, porque vivemos nesta era da imagem, vivermos a “desenhar” a perfeição para postar, porque a que vivemos genuinamente é, muitas vezes, diferente.

Não interessa se venho mais rica das coisas vivi (e simultaneamente mais pobre do dinheiro que gastei), se venho mais relaxa e descansada, se venho encantada com as paisagens que admirei, se venho mais rica com todos os livros que consegui ler e absorver.

Para mim é o que prevalece e me enche a alma, para a sociedade falta-me a melanina que me assegura mais um selo de destino visitado.

Vamos só viver a nossa vida e deixar os outros fazer o mesmo, da forma que quiserem, com ou sem sol, dentro ou fora do país, sem comparações, sem invejas, será que é possível?

Roda de Cores da Humanidade: qual o seu Pantone?

a adultizaçao das nossas crianças

Tri, 20.08.25

A Adultização das nossas crianças é algo que já me atormenta há muito tempo, mas que posso eu fazer para contornar e combater esse flagelo?! Limito-me a desabafar as minhas preocupações, a comentar com as minhas pessoas e a não ter redes sociais que perpetuam a podridão presente na sociedade.

Este fenómeno ocorre quando as crianças são expostas precocemente a comportamentos e conteúdos inadequados para as suas idades, exercendo um aceleração forçada no seu desenvolvimento, levando-as a ter comportamentos e atitudes típicas de adultos, como sexualização precoce.

Para os mais atentos, sabem que nos últimos dias, a exploração de crianças na internet gerou um debate intenso no Brasil após um vídeo feito por um influencer brasileiro, com milhões de seguidores, o Felca, que falou abertamente no tema; que expos pessoas e contas falsas, que denunciou o flagelo por detrás dos vídeos das nossas crianças.

Ele falou da realidade brasileira mas é aplicável a todas as nossas crianças.

Para além da sexualização premeditada de muitas crianças, porque há toda uma indústria paralela de pornografia infantil, há também o cuidado acrescido com simples e inocentes vídeos das nossas crianças, que publicamos porque são inofensivos, são fofos até, mas as mentes deturpadas conseguem olhar para a aula de Ballet da miúda com outros olhos, para as cambalhotas na praia com a prima com outros olhos, etc etc.

Para quem não sabe do que falo, deixo aqui o link para que possam ver o vídeo do Felca; o mesmo tem corrido Mundo e é bom que o tema não seja abafado até as diversas redes sociais fazerem alguma coisa relativamente ao algoritmo utilizado e à monetização dos vídeos.

Eu sinto-me impotente perante a dimensão do problema, mas sinto-me genuinamente contente por saber que quem tem impacto, usa a sua voz para o bem, que faz o papel de influencer, influenciando os seus seguidores para o bem; a repensarem o conteúdo que seguem, que publicam, que consomem.

Ainda bem que se está a falar no tema, para que todos possamos parar para pensar: Como estamos a educar as nossas crianças? Quem são, afinal, os seus modelos e exemplos? Qual a barreira da intimidade que não devemos ultrapassar? (sim, colocar fotos dos nossos meninos com um emoji na cara não serve de muito)

Nada disto é novo para mim, mas é uma luta que travo a uma escala muito mais reduzida, “chateando” constantemente a família e amigos para protegerem as suas crianças, não as expondo desnecessariamente nas redes sociais e não dando liberdade digital cedo de mais. É importante que se tome consciência que a internet é um território hostil, que expõe as crianças e jovens adolescentes a diversos riscos, como pressão estética, a influencia de terceiros que se sobrepõe ao seu espírito cítrico (ainda em desenvolvimento), comportamentos abusivos e, por vezes, auto-lesivos, etc.

Claro que os adultos estão sujeitos aos mesmo riscos mas pressupomos que tenham um maior espírito critico para fazerem as suas escolhem e capacidade de resistência para não se deixarem influenciar em demasia.

Vamos fazer a nossa parte com algumas ações:

- não incentivar a utilização do digital cedo de mais;

- quando permitirmos a utilização que seja de forma moderada, controlada e pouco tempo de cada vez;

- não expor as nossas crianças nas redes sociais, seja de que forma for;

- criar espaços de diálogo para que as crianças e jovens possam partilhar algum desconforto com algo que viram ou conversa que tiveram;

- acima de tudo, os adultos têm que ser o exemplo, por isso vamors largar o telemóvel e passar tempo juntos!

Esperemos por mudanças no algoritmo e nas regras das diversas redes para que algo possa, efetivamente, mudar; e que seja extensível a todo o mundo.

reflexão #163

Tri, 06.08.25

"É o que as pessoas fazem depois de viverem o pior do pior. Procuram pessoas semelhantes... pessoas que estejam pior do que elas...e usam-nas para se sentirem melhor em relação às coisas horríveis que lhes aconteceram."

 

by Colleen Hoover

in "Verity"