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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

Estou só a dizer coisas ...

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e este calor, hein?!

Tri, 27.05.22

E este calor todo, alguém me explica?!

Ainda na semana passei andei com pingo no nariz com um tempo enevoado e fresco e agora “já chegou” o Verão.

Ainda não chegou a sério mas é uma bela amostra e eu quero muito que chegue porque adoro o Verão, como dizia o outro “ eu gosto é do Verãooo, de passearmos de prancha na mão” (mas sem prancha vá), saltarmos e rirmos na praia (na piscina também serve), de nadar e apanhar um escaldão” (mas sem escaldão convenhamos)

A minha mãe disse-me no outro dia “este sol agora, parece que está mais quente”, e será que está mesmo enganada?

Será o sol que está mais quente? Ou a cidade está mais cheia, com mais construções e menos árvores?

As alterações climáticas não são um mito, e bem se sente como já quase não temos 4 estações.

De qualquer forma, eu sou uma pessoa de calor, gosto dessa altura do ano, gosto de sentir calor, gosto de viajar até ao calor. É o cheirinho a férias. Não sou fã do team AC (ar condicionado), contento-me com uma leve brisa só para permitir respirar mas não demasiado fria que me tire o calor.

Já o meu pai é da equipa dos “insatisfeitos”, mal chega o calor já suspiram pelos dias de Outono mais fresquinhos.

Como é que o S. Pedro há-de agradar a todos?

E por aí, quem mais está satisfeito com estes dias de sol?

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uma segunda vida

Tri, 16.03.22

Em minha casa nunca houve desperdícios, a minha mãe então guardava sempre tudo, desde comida a “tralhas”.

Refilávamos sempre com ela por encher a arrecadação com “tralhas”, mas o certo é que todos lá íamos. Se eu, ou a minha irmã, tínhamos um qualquer trabalho da escola para fazer, lá íamos buscar materiais para reutilizar; peças de roupa para colocar uns apliques e dar uma nova vida; encontrar um casaco vintage que tinha sido dos seus tempos de juventude, etc.

E assim cresci a aprender a não deitar as coisas fora indiscriminadamente, a doar o que está bom, a guardar o que não está mas que pode ser reabilitado.

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Sou cada vez menos adepta de tralhas, mas continuo sem desperdiçar, guardo algumas coisas que creio que possam ser úteis, dou a maior parte delas e outras tantas vendo em 2ª mão nos diversos sites que hoje existem para esse efeito.

E é disso mesmo que vos quero falar, de darmos uma nova vida às coisas que nos foram úteis durante um tempo e que podem ganhar uma nova vida e serem proveitosas a outras pessoas. Sou muito apologista de vender e comprar em segunda mão, não só porque, coisas que já não utilizamos tanto, podem-se tornar uma ajuda para o mealheiro das férias; como são uma excelente opção ambiental e de redução do consumismo desenfreado em que vivemos.

Nestas minhas andanças, descobri um novo site (novo para mim pelo menos, vá) de compra e venda, exclusivamente, de livros usados. É uma pérola, encontram-se por lá algumas relíquias mas também imensos livros muito recentes que já foram lidos por alguém (e querem continuar a ser lidos) a preços simpáticos.

Também tem a opção de colocarmos um determinado livro em ‘procura’, algum exemplar que ainda não encontrámos por essas livrarias fora, para que quem o tenha saiba que encontra ali um potencial comprador.

Livros, é algo em que eu gasto o meu dinheiro regularmente, prefiro deixar de ir jantar fora para poder comprar livros, por exemplo, portanto este site passou a ser o meu 'novo melhor amigo'. Deixo aqui o link caso vos seja útil também: https://tradestories.pt/

E vocês que outros sites de vendas em segunda mão conhecem e usam? (não vale dizer o OLX, que já todos usamos, vá

a guerra de Putin

Tri, 25.02.22

O impensável aconteceu, em pleno 2022, estamos ainda a sair de uma pandemia mundial para presenciar e socorrer uma guerra.ucrania.PNG

Eu não sou entendida em política internacional, mas tenho algum discernimento e capacidade crítica e, parece-me, que os sinais já foram dados há muito e se foram ignorando e, parece-me também, que a Europa pouco ou nada fez para evitar que o Putin avançasse.

Esta não é uma guerra da Rússica contra a Ucrânia, não, é uma guerra do Putin contra o Mundo, se bem que ele não está sozinho nisto, nunca esteve.

As ameaças que lhe foram feitas tão levianas, parecia que lidávamos com um miúdo “se fizeres isso, ficas de castigo, não te deixo mexer no mealheiro”… parecia, que no fundo, ninguém acreditava que ele fosse capaz de avançar (eu incluída).

Até que foi!

E parte-me o coração, ver tanto sofrimento junto, adolescentes a serem recrutados à força para uma guerra que ninguém quer, pais a separarem-se dos filhos não sabendo se os voltaram a ver, tantos civis mortos injustamente … tudo devido à loucura de um homem.  E acredito piamente que a Rússia, a sua população, vai sofrer com os desvarios deste homem mas espero que percebam e se revoltem contra ele.

É assustador!

Estou preocupada e não consigo antecipar o futuro, esta situação é tão grave e complicada, e para todos os países, pois afirmações de que a Ucrânia é apenas o início não sossegam ninguém vindas de um homem na posse de armas nucleares.

Como li ontem, num dos testemunhos de Ljubomir, com o qual concordo, a GUERRA não é só uma palavra, a guerra tem um impacto brutal para a vida de todos…eu nunca passei por uma e, honestamente, gostaria de não passar, mas também nunca imaginei que acontecesse aqui “à porta”.

À medida que vou escrevendo estas palavras as coisas vão avançando e piorando e, estando nós na era digital, tudo se sabe em tempo real…assustador.

O meu coração segue com todos os ucranianos que precisam de força para aguentar e superar este momento…

olá novamente

Tri, 24.02.22

De facto “quando a cabeça não tem juízo o corpo é que paga”, já dizia Variações e tão certeiro que foi.

Temos tendência a querer ‘levar tudo para a frente’, a estarmos sempre disponíveis para qualquer coisa mas temos limites, não somos robots e quando fazemos as coisas em piloto automático, a nossa cabeça já nem processa…andamos programados e nem atentamos no que se vai passando à nossa volta nem connosco, até que percebemos que nos aproximamos do abismo…

Damos por nós inseridos numa série de projetos ou obrigações da vida e, de repente, não vivemos, corremos!

 

Acordamos a correr de manhã, para termos tempo de comer e sair antes de começar o trânsito, trabalhamos a correr para fazer todas as tarefas, vamos a correr ao ginásio, às aulas, buscar o miúdo ao infantário, passar na casa da mãe para levar qualquer coisa, levar a miúda ao karaté, tudo a correr …. Até que o corpo nos obriga a parar! Até que percebemos que não podemos viver sempre nesse ritmo, todos temos limites.

 

A minha vida não é diferente, correria e stress constantes, se bem que eu cuido de mim e faço mesmo por isso, aliás a minha meditação diária é já fulcral na minha vida, sinto mesmo que se não começar o dia “a parar” tudo vai ser mais stressante; ainda assim, o dia começa e queremos abraçar tudo, chegar a todo o lado e tratar de todos os recados, e portanto começa a correria...

 

Felizmente consegui aperceber-me a tempo, caminhava a passos largos para um burnout (estes termos pomposos de hoje em dia, até parece uma coisa boa de se ter), que mais não é que um estado de exaustão excessiva seja física, emocional ou mental.

 

Acredito que os últimos anos tenham auxiliado a que este caminho fosse mais rápido, mas não, a culpa não é da pandemia, é minha, que já vivia a correr entre todos os meus afazeres…se calhar estes anos só acentuaram a situação e permitiram-me aperceber e tomar medidas.

 

Procurei ajuda e tenho sido seguida pela minha terapeuta (que é um doce, diga-se de passagem) e acaba por ser fantástico este processo, pois por causa de uma coisa má somos levados a uma série de exercícios, de mudança de hábitos e rotinas, de descoberta pessoal…acabamos por aprender muitos de nós próprios que não sabíamos.

 

E como não? Não deveríamos ser as pessoas que melhor nos conhecemos?

 

Isto para reforçar, mais uma vez (mas nunca é demais) que a saúde mental é de extrema importância, é o que nos permite lidar de forma estável com as emoções positivas e negativas.

 

Mas atenção, a saúde mental não é simplesmente a ausência de doença, é sim o conjunto entre o bem-estar físico, mental e social que nos permite interagir com diferentes realidades e conseguir gerir as diferentes emoções que tal nos possa transmitir.

Estejam atentos aos sinais, aos vossos e aos dos que vos rodeiam, pois podem ter um colega ao vosso lado com um sorriso no rosto mas numa clara depressão.

 

E como eu disse, ao contrário de algumas pessoas que conheço, eu até vou cuidando de mim e vou-me obrigando a parar ao longo do tempo, não obstante as responsabilidade da vida nos encaminharem para o stress, acabamos por nos desleixar um pouco de nós e o resultado final pode não ser positivo. 

 

Portanto, com tempo, ao meu ritmo, irei voltar a estar por aqui, que é algo que me dá muito gosto. Apesar de parecer fantasma, continuo a acompanhar-vos, gosto de ler o que escrevem, dá-me alento nalguns dias … se bem que as leituras do dia de hoje sejam negras, dada a atual crise que se instala na Europa. (conversa para outro post vá)

 

Um até já.

e lá se vai 2021

Tri, 30.12.21

Ainda estou de fugida, mas não queria deixar de passar por aqui para vos desejar um BOM ANO. Precisamente isso, UM BOM ANO, com tudo aquilo que cada um mais precisar.

Sinto que ao longo deste ano pouco escrevi, tanto aqui no blog como nos meus cadernos de desabafos, apesar de ter feito alguns posts por este cantinho que me obrigaram a alguma reflexão. E esses mesmos posts geraram alguma interação com todos os que por aqui passam, e fiquei muito feliz por isso. (é, parece que vocês são uns fofinhos)

Estou de fugida, mas prometo voltar quando as coisas acalmarem.

 

Este ano foi estranho, parece que passou rápido demais e, ao mesmo tempo, parece que não aconteceu nada. Mas aconteceu e teve as suas coisas boas, aliás, tem sempre se as soubermos ver. Mas também mudou. E muito. Há menos tolerância e paciência, mais propensão ao reclamar ‘só porque sim’, menos cuidado com o outro.

Mas não vamos focar nas coisas negativas da nossa sociedade, o ano vai terminar e nós queremos é ânimo para que 2022 venha cheio de energia; perceber como passou este nosso ano e pensar no que nos propomos fazer no próximo. (a inscrição no ginásio não vale vá, toda gente sabe que já está na lista desde 2010)

Eu falhei quase todas as resoluções a que me propus (mas honestamente, acho que fiz o melhor que pude); habituei-me a estar sem pessoas e, ao mesmo tempo, apercebi-me que sinto falta de pessoas; consegui atingir o meu objetivo de livros a ler; perdi a vontade de fazer fosse o que fosse, durante uns meses, mas depois recuperei e obriguei-me a mexer; percebi que a família é mesmo o pilar de tudo (como se já não soubesse) e enfardei (sim, não há outro termo) imensos bolos e doces.

 

Pareceu uma montanha-russa mas há tantos pontos positivos a retirar deste ano e é desses que me quero lembrar:

- Fiz da minha casa, o meu lar

- Eu e toda a minha família temos escapado a este ‘bicho’ que não nos larga

- Na minha ONGD, conseguimos adaptar o nosso voluntariado e não deixar as pessoas

- Acompanhar uma situação de sem-abrigo até deixar de o ser

- Consegui ir em missão para Cabo Verde, depois de adiarmos tantas vezes

- Ainda consegui ir de férias para fora do país

- Consegui ir ao teatro e a um concerto

- Consegui levar os meus pais um fim-de-semana de férias para descansar

- Pude rever familiares e amigos emigrantes

Consegui guardar momentos felizes na loucura dos dias: um abraço apertado, um pastel de nata oferecido, o almoço partilhado com os meus pais, a preocupação genuína da senhora da florista, o sorriso na cara do meu namorado, uma piada do meu pai, uma prenda recebida fora de época festiva. Porque, na verdade, a essência está mesmo nestas pequenas coisas.

Que 2022 vos traga, acima de tudo, saúde (física e mental) e muito amor que possam partilhar com todos.

Obrigada por continuarem desse lado, prometo tentar ser mais assídua por aqui em 2022.

reflexão # 119

Tri, 29.09.21

"Faulkner disse acerca de Hemingway: «Que se saiba, ele nunca usou uma palavra que fizesse o leitor ir ao dicionário.» Hemingway interpretou isto da seguinte maneira: «Pobre Faulkner. Será que ele julga mesmo que as grandes emoções nascem das grandes palavras?"

by João Tordo

in "Manual de Sobrevivência de um Escritor"

reflexão # 118

Tri, 15.09.21

"As pessoas consideram muitas vezes que a escrita de um romance começa pela ideia. A bem dizer, um romance começa, antes de mais, por uma vontade: a vontade de escrever. Uma vontade que toma conta de nós e contra a qual não há nada a fazer, uma vontade que nos desvia para tudo o resto. A esse desejo constante de escrever chamo doença dos escritores. Pode-se encontrar a melhor das intrigas romanescas, mas, se não houver a tal vontade de escrever, não se vai a lado nenhum."

by Joël Dicker

in "O enigma do quarto 622"

 

“Não ter quem se lembre sequer de nós é um duro golpe na nossa existência”

Tri, 30.08.21

O mote que me despoletou esta reflexão foi dado pelo João, sem mesmo ele saber, num dos comentários que fez aqui no blog, porque é uma frase que me tocou de tão verdadeira e por conhecer quem a viva.

Sou voluntária já há muitos anos e já passei por diferentes projetos com diferentes áreas de atuação, nos últimos 7 anos “estagnei” na associação onde me encontro atualmente e um dos projetos nos quais estou inserida é o acompanhamento de idosos em situação de isolamento da cidade do Porto.

E tenho que vos confessar que é uma realidade chocante.

Primeiro é chocante conhecer alguns dos buracos (literalmente) em que alguns vivem, pequenas casas, sem condições, onde chove lá dentro, onde a casa banho ainda é na rua (como era a da minha avó, está certo…mas as coisas vão evoluindo, não é verdade?), onde às vezes entrar 2 ou 3 voluntários lá em casa, já é sinal de casa cheia (porque fica mesmo cheia, não cabe mais nada …não entendo como é que em tempos moraram lá 10 pessoas ou assim).

Segundo porque muitas destas pessoas estão completamente desprovidas de atenção e cuidado, são completamente negligenciadas pela sociedade. Atenção, algumas delas têm algum apoio da Junta de Freguesia ou assim ou de uma Santa Casa (?) mas mesmo para isso é preciso terem dinheiro e as reformas são de trezentos euros (às vezes um pouco mais…na loucura), mal dá para comer quanto mais para pagar “luxos” de ter alguém a ir ajudar na higiene ou ir entregar uma refeição decente por dia.

Terceiro são pessoas que não têm família ou qualquer tipo de retaguarda familiar, por diversos motivos porque efetivamente já são velhinhos (e bem fofinhos, às vezes) e todos à sua volta foram indo e eles lá se vão lamentando “Todos se vão e eu aqui. O que é que eu ainda ando cá a fazer?”; ou porque não criaram o seu núcleo familiar mais próximo, do género, ou não casaram, ou não tiveram filhos, ou eram filhos únicos, ou seja, só tinham tios, padrinhos e afins que, obviamente, também sendo mais velhos que eles a vida se encarregou de os levar primeiro; e por último o cenário dos que têm família mas completamente desligada, pessoas que não falam com os filhos há 30 anos, que nunca conheceram os netos (ou talvez numa foto que uma vez receberam por correio…) e esses são os que custa um pouco mais.

Custa na medida em que não me cabe a mim, nem a nenhum voluntário, fazer juízos de valor (de todo!) mas custa-me aceitar, por vezes. Se é fácil, não é, porque todos somos seres humanos portanto é um exercício constante que tenho que ir fazendo mas que consigo cumprir e ir isenta de preconceito e juízos de valor.

Eu não imaginaria tal acontecer na minha família, mas não sabemos a história completa daquela família em concreto. Aliás todas as histórias têm sempre dois lados e eu só conheço o do idoso, sempre.

Isto pegando na deixa do João, de facto é duro não ter quem se lembre da nossa existência, e estes idosos não têm…o telefone não toca para saber se estão bem, se estão vivos sequer, o que lhes mantem o alento são as nossas visitas, a nossa presença semana após semana. Somos, muitas vezes, as únicas pessoas com quem falam na semana inteira, é normal que quando vamos embora fiquem, automaticamente, a contar os dias, até ao próximo dia em que vamos voltar.  Se imagino a minha família em condições destas, não imagino; mas há sempre elementos com quem nos damos menos bem e quase consigo entender como se pode chegar a este ponto.

Uma coisa é certa, nós estamos lá para eles e sem julgamentos, porque não sabemos o que se passou naquela família, se há apenas falta de vontade e amor, se aquela pessoa que se demonstra tão vulnerável neste momento connosco foi um sacana durante a vida, enfim…todas as histórias têm dois lados e nós vamos ouvindo as memórias dos nossos idosos, o que eles vão contando, o que querem partilhar, com mais ou menos floreados.

Mas é uma realidade pesada de lidar, por vezes, e estes últimos dois anos foi um grande abanão…perdemos mais idosos nestes dois anos que no tempo todo em que lá estou…e não foi para o covid, eu diria que foi para a solidão…

Mas o mais importante, é saberem que estamos sempre lá, independentemente de tudo o resto, todo o ano. E saberem que, afinal, há quem se lembre deles.