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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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perdas

Tri, 12.04.21

Há alguns dias, infelizmente, tive o velório do pai de um amigo. (não fui literalmente, dado o limite de pessoas permitido, apenas passei na porta para lhe dar algum apoio)

De uma forma geral, tento sempre esquivar-me a estesmomentos, não é por não estar lá que não penso na pessoa, que não sinto a sua falta ou que não estou de alma e coração com quem sente aquela perda.

 

A perda é uma coisa que mexe muito comigo, algo que ainda não aprendi de todo a lidar, apesar de a minha consciência saber perfeitamente que os clichés são verdadeiros e que é algo que “faz parte da vida” e que é “inevitável”. Mas a perda de um pai é, provavelmente, das coisas que mais me comove e me deixa o estômago reduzido a nada.

 

Desde pequena que ficar sem o meu pai ou a minha mãe é a ideia que mais me atemoriza. Ainda hoje, adulta feita, tenho algum trauma com isso (nunca perdi nenhum deles, entenda-se) de tal forma que chego a ter sonhos (pesadelos!) diversas vezes com essas perdas como se fosse mesmo muito real.

 

Os meus pais são uns autênticos guerreiros e excelentes pessoas, sempre prontos a estender a mão ao próximo; ajudam sempre sempre toda a gente, mesmo que ninguém retribua quando eles precisam numa qualquer fase menos boa da vida.

 

A vida pregou-lhes algumas rasteiras, mas foram-se sempre erguendo como podiam. São um orgulho e creio que não sabem que o são e o quanto os adoro.

 

Em minha casa nunca se falou muito de sentimentos e, apesar de o amor sempre ter existido, às vezes essa é uma barreira um bocadinho difícil de transpor: falar de amor, dizer alto o quanto gostamos uns dos outros. (não é por isso que não fizeram de mim uma mimada. Ups!)

Mas mesmo não dizendo, nós sabemos, nós sentimos, porque estamos sempre lá, porque nos apoiamos, porque tanto estamos juntos para ir relaxar numa ida ao teatro como estamos juntos para dar força nos momentos menos bons.

 

A minha família são os meus pais! Tenho tios e primos, mas a minha família são os meus pais, simplesmente. Eles nunca me faltam, eles é que estão sempre lá para mim.

 

E por isso não me consigo imaginar sem  eles, sem o cuidado, sem o amor, sem a proteção.

Queria guardá-los em qualquer lugar onde nada os afetasse, mas sei que só os posso guardar no meu coração e tentar sempre cuidar deles e protegê-los o melhor que me for possível.

 

Inevitavelmente, um dia vai acontecer, mas bem vamos esperar até que sejam bem velhinhos e rabugentos, sim? (sim a minha mãe vai ser uma velhinha faladora e refilona!)

Até lá, é aprender a lidar com as perdas desta vida.

de fugida ...

Tri, 08.04.21

Porque há fases em que precisamos de parar, de nos resguardar … de alguma introspeção.

Porque a vida não é fácil, e acho que todos sabemos disso (ou será que somos nós que a dificultamos?), e decisões difíceis às vezes têm que ser tomadas.

Não é fácil mas nós estamos habituados a que tudo seja fácil (e facilitado) nas nossas vidas, ele há GPS para nos ensinar o caminho, há microondas e Bimby’s que “cozinham por nós”, máquinas de lavar e afins. Uma panóplia de opções e depois queremos que A Vida seja igualmente fácil, numa versão de 'pronto a vestir.'

Enfim, não é fácil, não significa por inerência que seja difícil, simplesmente que não é fácil…é o que é.  Não há tutoriais milagrosos para vivermos toda a nossa vida, nem DIY (projetos faça você mesmo) para resolvermos os nossos problemas.

Por vezes, só temos mesmo que abrandar, ter atenção e cuidar mais de nós.

Ando numa dessas fases … muita coisa quer sair, mas faltam as palavras. (se é que isto faz algum sentido)

reconhecer os momentos de felicidade

Tri, 25.03.21

A teoria é simples e todos a entendemos, mas colocar em prática é complicado, exige concentração e dedicação.

Estamos tão absorvidos na nossa vida de correria, no nosso dia-a-dia programado e atarefado que, pequenos momentos, não passam disso mesmo…pequenos momentos que nos passam despercebidos.

(sim mesmo agora que não andamos a correr para lado nenhum, conseguimos não prestar atenção…)

Pequenas coisas que não reparamos, não lhes damos a devida importância, não percebemos que é um pequeno grande momento pelo qual devemos estar gratos. (aliás devemos estar gratos por acordar todos os dias, não?)

 

Portanto, é difícil percecionarmos diariamente a felicidade nas pequenas coisas porque, habitualmente, vivemos quase em piloto automático pelo que isso tem que ser um exercício constante e consciente. Para mim é! Todos os dias faço esse exercício de ir olhando há minha volta ao longo do dia, de ir percebendo o que me rodeia, de ir agradecendo, de ir sorrindo e há dias em que tudo isso sai de forma automática, não precisamos de nos lembrar de fazer esses exercícios. Mas garanto, a vida fica tão mais leve.

Não. Não resolve todos os nossos problemas, aliás ninguém os resolve senão nós, mas ajuda-nos a ter uma outra visão sobre os mesmos, por exemplo.  

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Todos os dias, sem exceção, forço-me a parar, a ter consciência do que me rodeia, a dar atenção e a ser grata porque os problemas que tenho na vida não são comparáveis, por exemplo, aos que eu lido no meu voluntariado. Não são maiores nem menores, são os meus noutra realidade, contexto e proporção.

 

Mas todos os dias ouvimos e lemos frases inspiracionais, que se pararmos para as interiorizarmos exercem de facto o seu propósito, de motivar e dar alento, aquele clique que precisávamos para avançar com uma qualquer decisão. (mas se não passarem de um wallpaper bonito de rede social de pouco servem, na verdade)

E em todas estas pequenas coisas (e tantas outras) reside a nossa felicidade ao longo da vida, só temos que fazer o exercício de nos apercebermos. Deixo-vos o simples exercício, quando se deitam, parem 2 minutos e pensem no vosso dia, por muito mau, stressante ou angustiante que tenha sido, não teve alguma coisa de bom? Não vale a pena ser grato por ele ter existido na vossa vida? ;)

Happy Monday

Tri, 15.03.21

Como um sentimento pode mudar em segundos. E é isso que devemos ter em mente sempre que estamos chateados com alguém, que queremos discutir ou falar mais alto, seja o que for...basta parar, focar e os sentimentos passam por nós.

Nós não somos os nossos sentimentos! Nós não somos refilões, não somos mal-dispostos, não somos rezingões...nós podemos é estar mal-dispostos naquele momento apenas, mas isso não define a nossa pessoa.

(mas isso é uma reflexão que dará para um outro post mais aprofundado)

recrutar pessoas ou rotular?

Tri, 11.03.21

Dado o facto de trabalhar numa empresa pequena, todos acabamos por ser polivalentes, acumular funções. E eu não sou exceção.

O crescimento da empresa nos últimos anos, as minhas aptidões para certas funções e todas as circunstâncias acabaram por me empurrar para o recrutamento.

Sou responsável pelo recrutamento na minha empresa e é algo que detesto. (pronto, já deitei cá para fora)

É uma função extremamente frustrante porque me obriga a ir contra uma série de princípios meus; o processo de recrutamento implica que se avaliem e rotulem pessoas com base em meia dúzia de informações. Nós somos muito mais do que aquilo que se escreve num papel ou que demonstramos numa hora de um dia de nervos.

Eu sei que tem que existir alguma forma para selecionar pessoas; que têm que ser excluídas ou selecionadas com base nalgumas informações, é inevitável, pois quem está a fazer a entrevista e a pressupor coisas sobre aquela pessoa tem também que ter algumas bases … tudo bem. Só não é uma função para mim mas sim para as pessoas que estudaram recursos humanos, por exemplo. (por isso é que escolheram essa área deduzo)

Mas o facto de estar nesta função faz-me conhecer o mercado (entenda-se: oferta) de uma outra maneira (pelo menos o do nosso setor) e ainda fico chocada como em pleno século XXI, com tantas formações que existem, com tantos modelos base de CV que se podem encontrar na net ainda se enviam currículos que metem medo. Eu recebo currículos em formato editável ‘word’ (mas porquê, é para eu preencher os espaços em branco?!), alguns cheios de erros de português, alguns com fotos menos próprias para colocar num CV (quer dizer, pelo menos para a função que eu procuro), coisas que não fazem sentido acontecer nos dias de hoje em que há tanta informação disponível.

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Mas voltando ao cerne da questão, esta função desgasta-me e deixa-me profundamente desmotivada. Claro que não é a minha função principal, não andamos todas as semanas a recrutar pessoas, mas infelizmente nos últimos 2 anos temos tido muitos processos de recrutamento, quer seja para aumentar a equipa quer seja para colmatar alguma vaga de alguém que saiu. E, como acho que já deu para perceber, eu não sou de recursos humanos, posso ter estudado um pouco na faculdade e talvez ter algum perfil para a função, mas não gosto de recrutar pessoas…nem sempre o nosso caminho nos encaminha para os sítios corretos, não é?

O processo de recrutamento é, à partida, injusto para ambas as partes. É ter que assumir certas coisas sobre aquela pessoa que, no dia da entrevista, até podia estar num dia menos bom; é ter que saber interpretar o ser humano, pois há sempre pessoas que se sabem vender muito bem, mas que no fundo é tudo muito oco (é como alguns comerciais que recebo na empresa, são capazes de me vender a minha própria mãe), é ter que dar um ‘não’ sem grande causa plausível ou um ‘sim’ duvidoso (é sempre com o beneficio da dúvida).

Mas quem recruta tem que ter um ponto de partida é certo, sendo essa base o currículo que se recebe. Mas de facto gabo a coragem dos colaboradores das empresas de recrutamento que têm que fazer isto todos os dias.

Eu tenho que fazer, por vezes apenas, e sinto-me agastada com isso. Já vivemos tempos que nos cansam mais, por tudo e mais alguma coisa, junto a isto o facto de ter que fazer alguma função contrariada e dá explosão … isto não anda fácil.

E o que é que nós podemos fazer quanto a isso? (estão vocês a perguntar que eu sei)

Pois nada, e a situação vai continuar, eu apenas tenho que aprender a adaptar-me e de qualquer forma apeteceu-me ‘deitar cá para fora’. ;)

reflexão #98

Tri, 10.03.21

"Por exemplo, descobrimos que alguém anda a dizer mal de nós nas nossas costas. Se, ao sabermos que alguém anda a dizer mal de nós, ficarmos ressentidos e zangados, somos nós que destruímos a nossa paz de espírito. Somos nós que criamos a nossa dor. Ao invés, se evitamos reagir negativamente e não ligamos à calúnia, como se não passasse de uma aragem inaudível, evitamos o ressentimento e a arrelia. Portanto, embora nem sempre sejamos capazes de evitar esse tipo de situações difíceis, podemos fazer variar a intensidade do nosso sofrimento decidindo como vamos reagir a situação »."

Dalai Lama e Howard Cutler

in "Um Guia para  vida"