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Estou só a dizer coisas ...

um espaço para a reflexão e partilha ...

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Estou só a dizer coisas ...

19
Set17

reflexão #24

publicado por Tri

"...dormir com alguém é a intimidade maior. Não é fazer amor. Dormir, isso é que é íntimo. Um homem dorme nos braços de uma mulher e a sua alma se transfere de vez."

 

Mia Couto

in " Um rio chamado Tempo, Uma casa chamada Terra"

18
Set17

as frases que me tiram do sério

publicado por Tri

1. "Tem calma"

O "tem calma" é daquelas coisas que me faz subir a tensão de forma quase imediata.

Das duas uma, ou eu nem sequer estava nervosa (apenas a apresentar algum ponto de vista com mais convicção!!) e fico automaticamente irritada; ou se estava a ter um ataque de ansiedade (porque o GPS nunca funciona quando deve e já estou à 2h às voltas…por exemplo, só como exemplo) então perco a cabeça.

 

Eu nem sou pessoa de me irritar de facto, mas o ‘tem calma’ tem um poder quase super-heróico de ligar um botão dentro de mim para me fazer perder a paciência.

Mas porquê?!? Porque é que têm que usar essa expressão?! Por acaso alguém acha que por dizer calma em voz alta resolve automaticamente todos os problemas existentes e que a pessoa com quem falam fica de tal modo aliviada que nem precisa de meditação?!

 

2. "Então, como te correu o dia?"

A sério?! Ainda mal cheguei, ainda não me sentei e querem que eu faça um resumo do dia?! E quem disse que eu quero, se calhar o dia nem foi assim tão bom e o que quero é esquecê-lo e não revivê-lo de ponta a ponta. Se foi bom e empolgante vou querer contá-lo à minha maneira, cheio de histórias, pormenores e parvoíces.

Portanto não me peçam resumos. 

 

3. "Não stresses"

Mas por acaso o facto de eu comentar que o condutor do lado (que se está a tentar meter na fila á nossa frente) que sofre de ‘chico-espertismo’ significa que já estou stressada?! Stressada é deixarem-me ficar horas presa no trânsito a perder preciosos anos de vida.

Só porque uma pessoa comenta certos e determinados problemas do dia-a-dia (trânsito, filas de supermercado e afins) não significada de forma perentória que já está stressada….mas se continuam irá fazer quase o mesmo efeito de ‘Tem calma!’.

No_Stress.jpg

 

06
Set17

o que é feito da fast food?!

publicado por Tri

hamburguer.jpg

Fui ontem ao Mcdonald's (coisa que já não acontecia à uns largos meses) e qual não é o meu espanto quando sou surpreendida por toda uma série de novas regras e máquinas que me obrigam a trabalhar.

 

Tenho uma máquina para fazer o pedido, com tantas opções, botões e sugestões que eu perco metade do tempo da refeição á volta dela…no final, não tenho tempo para comer o meu hambúrguer.

 

Mas afinal o que é feito da fast food que passou a ser tão slow com tantas regras. Pessoalmente, quando vou comer fast food não é com o intuito de encher as veias de gordura, é de facto para ser rápido. Agora é tudo demasiado moroso, até os colaboradores do Mac já servem à mesa (quase como no talho vá, a gritar o número da senha seguinte).

 

Esta substituição maciça dos humanos pelas máquinas a toda à nossa volta causa-me alguma urticária (além de que me dá muito mais trabalho a mim xD ), imagine-se que até no super tenho que ser eu a pesar os legumes ao invés de ter 3 ou 4 simpáticas senhoras que por norma me costumavam atender…

 

Já não ‘exijo’ que num Mac tenha um atendimento personalizado (“Boa tarde. O que deseja? Pode por favor passar para outra fila? Bom apetite e volte sempre!”) mas que tenha pelo menos algum atendimento e contacto com o cliente que não seja apenas: “SENHA 99! 99!”

04
Set17

seremos mesmo o espelho dos nossos pais?

publicado por Tri

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Dizem-nos durante toda uma vida “é a cara chapada da mãe.”, “Ai que feitiozinho, sai mesmo ao pai”, “tal pai, tal filho”, e será que somos mesmo assim tão iguais?

Será que os nossos feitios e personalidade são ditados pelos nossos pais e respetivos feitios? Será que não desenvolvemos a nossa própria personalidade ao longo da vida á medida que vamos crescendo? Será que somos assim tão iguais?

E a resposta é sim, eu creio que sim!

 

Eu vejo por tantos casos que me são próximos, amigos e família, como os pequenos absorvem tudo que nem esponjas.

Assisto ao crescimento de algumas crianças pensando ‘que orgulho, que esperta e inteligente ela está a ficar’ refletindo que os exemplos daqueles pais são de facto positivos, as regras que lhe são impostas fazem todo o sentido, as atividades culturais que partilham com a criança são muito benéficas e, dessa forma, creio que estão a fazer um bom trabalho.

 

No entanto, vejo outros em que penso ‘ai no que ele se está a tornar’ e, de facto, é mesmo isso com pais com uma índole um tanto ao quanto duvidosa, amargos e insurretos, as crianças repetem os seus hábitos, educação (ou falta dela) e as tendências que as envolvem.

Assim, a criança torna-se pouco simpática, social e até autónoma nas funções básicas da vida, mas de facto a culpa não é da criança, mas sim da sua envolvente, mas sim dos exemplos (ou não) que lhe são passados.

 

A criança é totalmente condicionada e influenciada pelo seu meio ambiente, pelos exemplos dos pais, as conversas que os mesmos têm, os hábitos do dia-dia, são determinantes para o desenvolvimento da criança.

 

Todos temos a consciência de que viemos ao mundo fruto da união entre duas pessoas (com mais ou menos amor, não está em causa), e das quais herdamos geneticamente características que nos distinguem a cada um de nós de forma particular. Muitas destas características revelam aquilo que nós somos como pessoas, embora não totalmente, pois há coisas que o meio social nos transmite quase sem nos apercebermos.

 

Assim percebe-se a importância de sermos pais, criadores, educadores; é de facto relevante, (não propriamente pais biológicos…às vezes bem longe disso…) não só porque somos responsáveis por aquele pequeno ser que sem nós não é autónomo e não sobrevive, como também, somos responsáveis pelas pessoas que colocamos no mundo, somos responsáveis por criar aquele ser da melhor forma possível, passar-lhe a melhor educação e valores porque ele será o adulto que ficará neste mundo e o mundo já está suficientemente cheio de pessoas amargas, ruins e maldosas.

 

Pais deste mundo, vamos torná-lo num lugar melhor?!

24
Ago17

ai que prazer um livro receber

publicado por Tri

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É dos maiores prazeres! Aquele primeiro impacto, o autoconhecimento, o julgares o livro pela capa (inevitável) antes mesmo até de lhe conheceres o prefácio, o criares alguma expectativa sobre a sua história.

É dos maiores prazeres! Recebê-lo e mimá-lo, cheirar o livro, folhear para sentir todas as páginas, sentir a espessura do papel, é todo um ritual.

E tantos livros passados, o ritual continua o mesmo, o prazer que dá continua o mesmo.

 

É certo que o que é relevante e marcante é, de facto, o seu conteúdo, as páginas de história e de vida que acabaram de chegar. É certo também que já não consigo ler compulsivamente como fazia (mais porque agora ando de carro e não de transportes, onde o tempo era tão bem esticado!), vou lendo e saboreando as páginas, já não as consigo devorar. Mas continuo apaixonada por livros, nunca saio de casa sem levar um comigo (huuum, se calhar se for a um casamento fica…não cabe na pochet...é só por isso vá) e carrego diariamente o peso da minha paixão, sem qualquer problema até porque sem ele sinto que me falta algo. (as ‘minhas’ más línguas diriam que me falta um tijolo na carteira)

 

É dos maiores prazeres receber um livro, novo ou não, comprado por mim ou não, é irrelevante pois quando o recebo, continuam a brilhar-me os olhos a cada livro que acrescento à minha vida, continuo a dar importância a cada pormenor, depois de o cheirar tiro sempre as etiquetas caso as tenha (sempre!), volto a cheirá-lo e guardo-o com um sorriso verdadeiro e cheio de carinho, como aqueles que só se dão aos amigos.

 

E é isso que os livros se tornaram na minha vida, amigos, cheios de vida e de pessoas que entravam pela minha vida adentro, com histórias mirabolantes que me faziam viajar sem sair do meu canto, que me passavam emoções, aprendizagem, momentos tão agradáveis como de sofrimento, vibrava com cada linha, sentia a história da personagem como se fosse minha.

 

Os livros são vivências mil e há tantos e tão bons escritores que nos conseguem transmitir isso. Ainda bem!

Continuo a gabar-lhes a arte, acho mesmo que são artistas, com simples palavras podem provocar em nós turbilhões de sentimentos, podem fazer-nos viajar e sonhar, são de facto artistas. As suas palavras conseguem provocar em nós uma qualquer emoção, boa ou má que seja, e não é isso que se pretende da arte, tocar as pessoas?!

21
Ago17

no que nos estamos a tornar ...

publicado por Tri

Ligamos a televisão nos dias que correm e, apesar de mudarmos de canal, as notícias são equivalentes em qualquer um deles; são homogéneas em toda a sua desgraça e destruição.

Apavora-me ver as notícias de hoje em dia, não um susto momentâneo, não um terror de não conseguir sair de casa, mas uma inquietação constante de não saber para onde caminha este mundo.

 

Tudo é tristeza, desgraça e destruição à nossa volta; incêndios que não cessam e incendiários que não são castigados, ataques terroristas quase diários e cada vez mais perto.

 

É um temor não saber o que será desta sociedade amanhã; não no aspeto económico-social relativo ao aumento da taxa de desemprego, aumento das rendas de casa devido ao crescendo de alojamentos locais e afins, da crise económica ou da poluição, não. Falo apenas da sociedade!

 

Esta sociedade que é a nossa e que tem como base a banalização da violência, tem como resposta a qualquer problema a falta de tolerância; esta sociedade que não cria resposta para os conflitos sem ser com novos conflitos.

Problemas estes que são transversais, desde os governantes, que deveriam dar algum exemplo, até aos cidadãos que não aceitam um ‘não’ como resposta sem que tal seja tido como uma afronta e tenha como resposta a violência imediata.

 

Temo o futuro da humanidade, pois assisto à sua destruição maciça: o homem a autodestruir-se.

 

É impossível sentirmo-nos indiferentes a tudo o que se tem passado.

Estamos cada vez mais impulsivos, menos racionais e a regredir em vez de evoluir; na verdade estamos a tornar-nos em verdadeiros animais da selva com a diferença fulcral de que não matamos para sobreviver, mas sim para nos fazermos valer.

 

O mundo está de facto virado do avesso, de uma forma que me deixa inquieta relativamente ao futuro e que me faz temer pelo mesmo e por todos os descentes que eu possa cá deixar. O que será o mundo para eles?

Estamos a evoluir no sentido contrário ao dos conhecimentos que adquirimos com o tempo. Evoluímos cada vez mais rapidamente para o egoísmo, para o egocentrismo, para a falta de tolerância e de respeito, para a falta de liberdade …

 

Ainda tenho esperança e acredito que podermos mudar e melhorar, mas até quando estes atos cruéis que saem impunes, até quando a corrupção sem consequências; para quando a esperança de um mundo melhor, de pessoas melhores?

 

Sei que diariamente devemos todos tentar fazer a nossa parte, pensar positivo, espalhar amor, proliferar a simpatia, paciência e tolerância …mas até quando?